Antes de entrar na passagem de pedestres entre o Parque D. Pedro II e o Palácio das Indústrias - onde funciona o Catavento Cultural -, no centro de São Paulo, o monitor Igor Batista, de 28 anos, viu o grupo que o esperava.

Eram sete, mas apenas dois se aproximaram. Armados com facas de açougueiro, eles jogaram spray de pimenta em seu rosto e o esfaquearam na barriga e na mão. Os assaltantes levaram carteira, dinheiro e o celular. "Não deu tempo de me defender."

Por causa da violência, o local recebeu dos monitores do museu e de moradores da região o apelido de "Faixa de Gaza", região marcada por conflitos entre israelenses e palestinos. Em oito meses, pelo menos 50 funcionários do Catavento foram abordados por assaltantes, segundo a Polícia Militar.

Os criminosos se disfarçam de moradores de rua para abordar os que passam pelo trecho, que liga a Avenida do Estado à Rua do Gasômetro. Para orientar os funcionários, a administração do museu colocou um cartaz informando procedimentos de segurança. "Orientam a gente a sair em grupos e dizem que existem vigilantes nos horários de saída dos monitores, mas eu só vejo esse segurança uma vez por dia", contou o monitor Tarcísio Lopes.

Os funcionários do Catavento são os que mais sofrem com a violência. Segundo a PM, pelo menos 23 tiveram algum objeto levado pelos criminosos. Outros 27 funcionários foram vítimas de tentativas de assalto. Segundo Sueli Breciane, diretora administrativa financeira do Catavento, o problema vai além da região.

"A situação que enfrentamos não é diferente do resto da cidade. Incidentes acontecem não somente naquela faixa e o Catavento já tomava providências para aumentar a segurança", afirmou. Ela diz que um vigilante percorre a lateral da passagem durante os horários de entrada e saída de monitores e a segurança é reforçada no espaço interno.

Reforço no policiamento

A PM informou que já reforçou as ações no local. Segundo o capitão Renato Natale, comandante interino do 45º Batalhão da Polícia Militar Metropolitano, haverá rondas de manhã, à tarde e à noite. "Teremos o controle nos horários em que as pessoas passam por ali, principalmente no horário comercial."

O comandante interino também afirmou que viaturas foram posicionadas para inibir a ação dos criminosos. Além disso, haverá policiamento a pé e de bicicleta no entorno do Parque D. Pedro II e do prédio do Catavento Cultural. Programas de policiamento, como a ronda escolar, também serão aplicados, disse o capitão Natale.

"O trabalho é incansável. Vamos agir para diminuir a oportunidade de assaltos, intensificar o policiamento e fazer pontos de estacionamento", completou. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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