Quando o primeiro funk começou a tocar, as portas do trem já estavam fechadas: Equipe poderosa/Furacão 2000/e quem não gostou/vai pra p.q.

p." Era o começo da viagem no "Trem do Funk", às 11h20 desta manhã, sob um calor de quase 40 graus. O percurso da Central do Brasil até a estação de Belford Roxo, na Baixada Fluminense, durou uma hora. Cerca de mil pessoas embarcaram de graça no expresso-calorento do funk, vigiadas por 75 seguranças, segundo a Supervia.

O motivo oficial era a comemoração pelo Dia da Consciência Negra, mas a dançarina Rose Bumbum, de 24 anos, não sabia disso. "Tá bastante calor, mas se é para ajudar as vítimas da enchente na Baixada, acho válido", disse ela. O sambista Neguinho da Beija-Flor também estava lá. "Gravei um funk que está estourando. Estamos juntos. Assim como o samba tem o seu dia, o funk também precisa ter."

O secretário estadual de Transportes, Júlio Lopes, disse considerar o funk "uma forte manifestação genuína, enraizada", mas não tirava os olhos de seu smartphone durante a viagem. Quase no fim, com a camisa molhada de suor, reconheceu: "É muito quente, realmente". Alguma previsão de vagões com ar-condicionado? "Só em dezembro de 2010", disse Lopes, pouco antes de tirar fotografias abraçado ao travesti conhecido como Mulher Banana, na estação final.

"É o trem da alegria", disse Rômulo Costa, secretário de Cultura de Belford Roxo, para quem o evento "levantou a auto estima do pessoal".

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