Baseado em três grandes partidos nacionais - PMDB, PT e PSDB -, uma dezena de legendas médias regionalizadas e outras tantas formadas por nanicos e ideológicos de pouca expressão, o modelo político brasileiro fez com que desde 1994 a efetiva disputa pelo poder ocorra apenas entre petistas e tucanos. Os outros partidos, sabendo que serão necessários numa futura coligação de governo, seja quem for o vencedor, preferem viver das gordas migalhas distribuídas em forma de ministérios e direção de estatais.

Essas concessões, por sua vez, são transformadas em células que garantem a sobrevida partidária de cada um deles por mais um tempo.

É o caso, por exemplo, do PCdoB, que desde 2003 controla o Ministério dos Esportes e utiliza seus programas para recrutar militantes. Outro exemplo é o PR - dono do Ministério dos Transportes, faz com ele sua política. O PP, por sua vez, é o senhor do Ministério das Cidades, pasta criada pelo PT, mas entregue ao aliado pela ajuda que tem dado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Congresso. Já o PDT se sente o próprio herdeiro de Getúlio Vargas com o Ministério do Trabalho, e o PSB tem como feudo o Ministério de Ciência e Tecnologia.

Com muito mais poder - garantido por seu gigantismo, tanto no Congresso quanto nacionalmente -, o PMDB domina seis dos principais ministérios de Lula: Agricultura, Comunicações, Defesa, Integração Nacional, Minas e Energia e Saúde. Para assegurar esse naco, abriu mão da disputa pelo poder nas últimas três eleições. Desta vez, deverá compor a chapa, com a indicação do vice da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil).

"A pluralidade partidária brasileira é um blefe", diz o deputado Paulo Delgado (PT-MG), apesar de 27 legendas estarem oficialmente registradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). "A maioria dos partidos é formada por legendas de composição e não de competição. Daí, a aversão pela disputa." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo .

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