Partidos adotam cartilhas para prestação de contas de campanha

BRASÍLIA (Reuters) - Preocupados com o surgimento de novos escândalos, partidos políticos estão elaborando cartilhas para seus tesoureiros a fim de evitar problemas na prestação de contas à Justiça Eleitoral. Os manuais para a eleição municipal descrevem de forma didática como devem ser registrados a arrecadação e os gastos das campanhas. A iniciativa tende a reduzir os erros nas prestações de contas.

Reuters |

Já adotaram a medida PT, PSDB, PMDB e DEM. A cautela tem justificativa. Desde o caso do mensalão, que revelou em 2005 esquemas de caixa 2 nas campanhas do PT e do PSDB, a Justiça tem tornado mais rígidas as regras contábeis das disputas eleitorais.

Para dar mais agilidade à prestação de contas, por exemplo, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) criou normas para o envio pela Internet de dados financeiros. Em outra decisão, o TSE passou a exigir que os bancos repassem os extratos das contas abertas para as campanhas eleitorais.

'O manual terá um papel educativo', comentou o tesoureiro do PT, Paulo Ferreira, autor dos '13 Mandamentos do Tesoureiro Petista'. O documento será fixado nas paredes dos diretórios do partido em todo o país, a partir da semana que vem. Segundo o dirigente, a idéia é dar visibilidade às recomendações.

'Queremos dar uma orientação que saia da simples circular', destacou.

A Executiva Nacional tucana também distribuirá a sua cartilha nos próximos dias. De acordo com o secretário-geral do PSDB, deputado Rodrigo de Castro (MG), a idéia é mostrar ao candidato como cuidar das suas contas.

'Queremos que sejam feitas campanhas vitoriosas e corretas', destacou. 'Nestas eleições, a questão contábil está mais rigorosa e terá uma maior importância.'

Já o Democratas promoveu cursos regionais para os candidatos e suas respectivas equipes. 'Alguns aspectos formais muitas vezes acabam prejudicando os candidatos que não conhecem ou não interpretam bem as regras', disse o deputado Eduardo Sciarra (DEM-PR), vice-presidente do partido.

'A Justiça Eleitoral tem procurado apertar o cerco nessas questões fiscais. Os partidos passaram a ter mais cuidado', acrescentou.

Para David Fleischer, cientista político e professor da Universidade de Brasília (UnB), a produção de manuais e cursos mostra que as legendas estão aprendendo com os erros do passado. 'Pelo menos nos caixas 1 não haverá erros', ironizou o especialista. 'O caixa 2 deve continuar existindo por que muitos doadores não querem aparecer.' (Reportagem de Fernando Exman)

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