Partido Verde decide expulsar vereador de Curitiba

A comissão executiva do Partido Verde (PV) do Paraná decidiu na noite de ontem pela expulsão do vereador curitibano João Galdino de Souza, conhecido como Professor Galdino. Uma comissão de ética levantou denúncias de assédio sexual, de incorreção na prestação de contas e de denegrir a imagem do partido.

Agência Estado |

O vereador negou as acusações e alegou que o motivo de seu afastamento é a demissão de dois funcionários "fantasmas" indicados pelo partido. Ele vai recorrer à direção nacional. "Vamos até o final e vamos ganhar isso aí", acentuou.

A comissão de ética foi instaurada porque Galdino teria dito que não obedeceria a orientações partidárias quando da demissão dos funcionários. "Não seria motivo de expulsão, talvez recebesse advertência ou suspensão", disse o presidente estadual do PV, Melo Viana. O vereador demitiu-os, sob alegação de que os dois indicados pelo partido teriam ido ao gabinete apenas duas vezes, para assinar o ato de nomeação e resolver problemas de documentação.

No restante do tempo ficavam à disposição do PV, um como dirigente partidário e outro como telefonista. Viana considerou normal a situação dos dois. "Nós defendemos que partido político seja financiado por dinheiro público", justificou. Galdino disse que avisou várias vezes os funcionários que, caso não comparecessem ao trabalho, seriam demitidos. "É dinheiro do povo e precisa ser respeitado", afirmou. "Estou trabalhando sério, não admito isso."

Mas, segundo Viana, o que pesou na decisão pela expulsão foi o depoimento de uma mulher que procurou o partido para dizer que foi assediada pelo vereador, que teria oferecido um cargo no gabinete em troca de favores sexuais. "A questão de assédio sexual foi fundamental", acentuou. Segundo ele, a mulher foi prestar depoimento acompanhada do marido. No entanto, ela não fez qualquer denúncia à polícia.

O vereador disse que vai entrar com ação na Justiça contra a denunciante. Segundo ele, a mulher foi indicada por um dirigente partidário e ele até cogitou a possibilidade de contratá-la, depois que ela ajudou na montagem da equipe. No entanto, ela própria teria recusado, pois esperava a definição sobre o aumento no número de vereadores para trabalhar com outro. Quando foi definida a situação, ela propôs trabalhar com ele, mas queria folga em janeiro e metade de fevereiro. Galdino disse que não aceitou. Segundo ele, todas as conversas com ela foram acompanhadas por testemunhas.

Ele também foi acusado, na comissão de ética, de não ter contabilizado na Justiça Eleitoral algumas doações e gastos durante a campanha. "Não estou sabendo de nada", afirmou o vereador, que teve 11.736 votos. "Eles vão ter que provar na Justiça que me deram dinheiro." Galdino ressaltou que vai tentar permanecer no PV, ao qual é filiado desde 2003. "Morei oito anos no exterior e sempre gostei do Partido Verde, mas aqui o partido tem um dono", disse.

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