Participantes de bolão da Mega-Sena depõem em delegacia de Novo Hamburgo

O delegado Clóvis da Silva, da 2ª Delegacia de Polícia de Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul, ouviu, nesta terça-feira, cinco apostadores que teriam participado de um bolão e acertado os números sorteados no concurso 1.155 da Mega-Sena, cujo prêmio estava acumulado em R$ 52 milhões. De acordo com o delegado, pelo menos mais 11 pessoas reivindicam o prêmio e devem ser ouvidas nesta tarde.

iG São Paulo |

Representantes da Caixa Econômica Federal e o proprietário da casa lotérica que vendeu os bilhetes também devem depor para esclarecer o caso. 

O grupo de moradores de Novo Hamburgo acertou as seis dezenas da Mega Sena em um "bolão" oferecido pela agência, mas o jogo não foi lançado no sistema de controle da Caixa Econômica Federal, o que os impediu de receber o prêmio.

A lotérica teve suas atividades suspensas pela Caixa no final da tarde desta segunda-feira , e não poderá voltar a prestar serviços bancários, recolher apostas ou vender bilhetes de jogos oficiais enquanto não apresentar sua defesa.

Funcionários da casa admitem a possibilidade de um erro humano, mas descartam que alguém possa ter agido de má fé e refutam a desconfiança de alguns clientes que passaram a suspeitar que nenhuma aposta recolhida por "bolões" tenha sido feita. Levantam, como hipótese provável, a transcrição equivocada dos números ou para os comprovantes entregues aos clientes ou para a aposta efetivamente registrada na Caixa.

A modalidade bolão é montada e vendida pelas lotéricas com base apenas numa relação de confiança com seus clientes. O apostador fica com um comprovante oferecido pela casa, enquanto esta paga os jogos à Caixa e retém o volante oficial, o único que dá direito à retirada do dinheiro. No caso de Novo Hamburgo, foi oferecida a participação em 15 diferentes jogos a 40 pessoas, que pagaram R$ 11 cada uma para participar da associação informal. Uma das combinações continha as dezenas sorteadas no sábado.

Se tivessem dividido o prêmio por 40, os apostadores de Novo Hamburgo receberiam cerca de R$ 1,3 milhão cada um. Pelo menos 13 deles registraram ocorrência na Polícia Civil e vão à Justiça tentar obter o pagamento e compensações pelo dano moral que sofreram. "A ação será contra a lotérica e também contra a Caixa, que responde solidariamente", adianta a advogada Josmari Peixoto.

Em nota distribuída nesta segunda-feira, a Caixa destaca que "o comprovante emitido pelo terminal de apostas é o único documento que habilita o recebimento de prêmios" e promete que "a ocorrência será objeto de apuração". O texto também adverte que "caso se confirme a existência de irregularidade será aplicada a penalidade prevista nas normas internas, que podem ir de uma simples advertência até a revogação compulsória da permissão, de acordo com a gravidade do fato".

*com informações da Agência Estado

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