Partes do AF447 chegam a Recife; corpos encontrados ficam em 49

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A Aeronáutica e a Marinha confirmaram neste domingo que 49 corpos de vítimas do acidente com o avião da Air France, ocorrido há 15 dias, foram resgatados do mar, e garantiram que as buscas vão prosseguir apesar dos poucos resultados dos últimos dias. Seis corpos recolhidos por uma embarcação francesa foram repassados à Marinha brasileira no início da noite e passam a figurar na contagem oficial. As autoridades, no entanto, reduziram de 44 para 43 o número de corpos resgatados e transportados para Recife após a realização de perícia.

Reuters |

"Em decorrência da impossibilidade de se verificar apenas por contato visual o estado dos corpos, a partir desta data, o comando operacional de buscas passa a utilizar o termo 'despojo mortal' e não mais 'corpo' para contabilizar o que for encontrado no oceano," disseram os comandos da Marinha e da Aeronáutica em comunicado.

As autoridades afirmaram ainda que pelo segundo dia consecutivo as equipes de buscas não encontraram corpos nem avistaram destroços ao Airbus A330 que caiu na noite de 31 de maio com 228 pessoas a bordo. No sábado, a visibilidade ruim fez com que as operações por ar fossem interrompidas.

Segundo o brigadeiro Ramon Borges Cardoso, diretor do Departamento de Controle do Espaço Aéreo da Aeronáutica, as buscas continuam conforme planejado apesar da falta de achados.

"Vamos prosseguir com as buscas até que seja possível encontrar os corpos ou despojos. Somente quando não houver nenhuma possibilidade disso acontecer é que as buscas serão encerradas," disse o brigadeiro a jornalistas, em Recife.

As forças tem planejamento pronto para continuar com as buscas ao menos até o dia 25 de junho, mas a partir do dia 17 haverá uma reunião a cada dois dias entre Marinha e FAB para avaliar e decidir a continuidade das operações.

O brigadeiro voltou a afirmar que até 20 ou 21 de junho, três semanas após o acidente, ainda é possível encontrar corpos.

De acordo com a Polícia Federal, responsável pela identificação dos corpos no Instituto Médico Legal do Recife, entre os últimos três corpos resgatados do mar pelas equipes, havia despojos de um animal marinho de grande porte, o que reduziu o número de corpos à disposição das autoridades para reconhecimento de 44 para 43.

"O equívoco ocorreu em função da impossibilidade de se verificar, por simples contato visual, ser o fragmento de tecido orgânico humano ou não. Somente um exame mais acurado pôde detectar a verdadeira origem do tecido," afirmou a PF em nota, acrescentando que o fragmento, de aproximadamente 80 cm, não será descartado até que exames laboratoriais confirmem a "convicção" dos peritos.

Neste domingo chegaram ao Recife os destroços e objetos pessoais recolhidos do mar na área de buscas pela fragata Constituição da Marinha. Entre as peças está uma parte da cauda do avião que é vista por especialistas como importante para a investigação.

De acordo com o vice-almirante da Marinha Edson Lawrence, os itens já estão sob responsabilidade das autoridades francesas que são responsáveis pela investigação das causas do acidente e devem ficar pelos próximo dias no porto do Recife.

"Acredito que (os objetos) ficarão ali por determinado tempo até que os outros navios tragam os destroços que eles recolheram do mar," disse o vice-almirante.

O embaixador francês Pierre-Jean Vandoorne, designado pelo governo da França para acompanhar o andamento dos assuntos relacionados ao acidente, esteve também neste domingo no centro de operações de buscas, em Recife, onde foi informado pelos militares sobre todo o andamento da operação.

(Por Pedro Fonseca; Edição de Maria Pia Palermo)

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG