Por Raymond Colitt BRASÍLIA (Reuters) - As reservas naturais do Brasil, que abrigam grande parte da biodiversidade mundial, sofrem de má administração, falta de verbas e constantes invasões, segundo diagnóstico traçado pelo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc.

As reservas naturais ocupam mais de 8 por cento do território brasileiro, e o país diz ter o maior parque nacional florestal do mundo, o do Tumucumaque, no Amapá, com 3,8 milhões de hectares.

Mas vários parques nacionais acabam dando abrigo não à vida selvagem, mas a madeireiros, garimpeiros e grileiros. De 299 áreas protegidas, 57 por cento não têm fiscalização, 76 por cento não têm plano de manejo e quase um terço não têm um administrador, segundo um estudo interno que Minc equiparou a um 'strip-tease ambiental'.

'A situação não é sustentável', afirmou o ministro em entrevista coletiva, dando como exemplo o Parque Nacional de Bom Futuro, em Rondônia, onde cerca de 1.600 garimpeiros, agricultores e madeireiros estão avançando sobre os recursos naturais. Em alguns casos, segundo Minc, a taxa de desmatamento na Amazônia é maior nas áreas de reserva do que nos terrenos desprotegidos.

Nas reservas onde há autorização para a prática com restrições da caça, da pesca e da agricultura, as populações 'vivem na miséria' por falta de planejamento, gerenciamento e controle dos recursos, disse Minc, um petista que foi um dos fundadores do Partido Verde.

Várias entidades, como Banco Mundial, WWF e KfW (Banco Alemão de Desenvolvimento) prometeram conjuntamente 200 milhões de dólares para um projeto do governo de criação de novos parques nacionais e aprimoramento dos existentes. O projeto Arpa, iniciado em 2003, já opera 60 parques, a maioria na Amazônia.

Minc, que assumiu o ministério há seis semanas, no lugar de Marina Silva, prometeu preencher neste mês as vagas na administração dos parques e treinar novos fiscais até novembro.

Além disso, se comprometeu a colocar 4 milhões de hectares de florestas sob projetos de extração sustentável de madeira.

O governo também pretende ampliar o ecoturismo nos parques.

Os mais visitados (95 por cento do total) são o Parque Nacional das Cataratas do Iguaçu e o Parque Nacional da Tijuca, onde fica a estátua do Cristo Redentor.

Em sua gestão, Minc vem promovendo ações contra a ocupação ilegal da Amazônia, mas especialistas dizem que faltam verbas e logística para a preservação. Em muitas reservas, a presença de invasores armados e bem equipados supera de longe o contingente de guardas, que precisam lidar com a escassez de veículos, combustível e armas.

'O problema é de desorganização', disse Sylvana Canuto, diretora da Fundação Chico Mendes, órgão do governo que supervisiona as reservas naturais.

(Tradução Redação Rio de Janeiro, 5521 22237137)

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