Paroquianos não abandonam padres acusados de pedofilia em Alagoas

“Não vou abandoná-lo de jeito nenhum. Até mesmo quem erra tem direito a perdão", diz um vendedor que foi com a família à audiência

Mariana Lima, enviada especial a Arapiraca |

Presença constante nas duas audiências realizadas até agora para instrução do processo criminal de abuso e exploração sexual de menores, paroquianos dos monsenhores Luiz Marques Barbosa, Raimundo Gomes e padre Edílson Duarte compõem boa parte das testemunhas de defesa no caso e não se furtam em expressar seu apoio, chegando a eleger a imprensa como “inimigo”.

Mariana Lima
monsenhores Luiz Marques e Raimundo Gomes são abraçados por paroquianos na saída da audiência
Aproximar-se de um deles e conseguir uma entrevista não é fácil, já que foram “alertados” para a “mania” da imprensa de só publicar uma parte das declarações. É o que explicou o vendedor Wilson Leite, 43 anos, quase 20 de paróquia de São José e que considera Luiz Marques como um pai.

Wilson e a esposa trabalhavam na Pastoral do Dízimo e cantavam no coral da igreja. Seus dois filhos mais velhos, um rapaz com 23 anos e uma garota de 18, foram coroinhas na igreja e a filha caçula, de 7 anos, chama monsenhor Luiz de “vovô”. “Ele já ajudou tanta gente nesta igreja em todos esses anos. Estou aqui para testemunhar isso, que ele é um homem bom, um homem que se doava para a igreja, que tirava do seu próprio bolso para as coisas da paróquia”.

Os filhos mais velhos também são incisivos na defesa do religioso, segundo Wilson. “Eles têm orgulho de terem sido coroinhas com ele, defendem abertamente e firmemente, sem medo ou vergonha”.

Wilson não acredita nas acusações de abuso de menores. Reconhece o vídeo como um erro, um pecado do homem, mas isso não abala sua convicção. “Não vou abandoná-lo de jeito nenhum. Até mesmo quem erra tem direito a perdão. Mesmo se ele for condenado, não vou abandoná-lo, estarei com ele lá [na prisão]”.

Foi Wilson quem acompanhou monsenhor Luiz, de Maceió até Arapiraca, para a audiência pública da CPI da Pedofilia, em abril de 2010. Ele assume que pediu ao religioso para que não comparecesse à audiência, mas recebeu uma resposta que o tocou profundamente. No banco do carona, rezando o terço, Luiz Marques lhe disse: “Meu filho, eu já fui tão atacado, tão machucado. Já estou condenado pela sociedade, então só me resta agora enfrentá-los”.

O vendedor quase vai às lágrimas e reforça que é essa crença no poder da oração que está dando forças ao monsenhor, que está prestes a completar 60 anos de sacerdócio, no dia 15 de agosto. “Estamos em uma roda de orações desde o dia 15 de julho e foi numa dessas que ele nos pediu que rezássemos, rezássemos bastante, com fé”.

Wilson não acredita que este processo de abuso sexual seja uma perseguição aos padres. Ele acha que é algo maior. “Isso é algo maior, mais maldoso. Inveja, vingança, retaliação de pessoas mal-intencionadas e invejosas. Pode ser que seja apenas um grande mal entendido para algumas pessoas, mas tem gente querendo se aproveitar da situação e dos padres”.

Nesta sexta-feira, como na audiência anterior, pessoas a favor dos padres esperaram até o fim para demonstrar seu apoio com abraços, pedidos de bênçãos e saudações.

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