ESTRASBURGO (Reuters) - O Parlamento Europeu, com apenas 54 de seus 785 deputados, expressou na quinta-feira o desejo de ver o Brasil extraditar o ex-ativista italiano Cesare Battisti para seu país de origem, onde ele foi condenado à revelia por quatro homicídios. A resolução, que ganhou o apoio dos liberais-democratas, da direita e dos socialistas, não pede explicitamente a extradição, devido à preocupação de respeitar um procedimento que ainda é objeto de recurso no Supremo Tribunal brasileiro.

O Parlamento se disse convencido de que "o reexame da decisão relativa à extradição de Battisti levará em conta o julgamento feito por um Estado membro da União Européia, dentro do pleno respeito pelos princípios do Estado de direito no seio da União."

A resolução foi aprovada por 46 votos a favor e oito contra, numa Assembléia deserta nesse último meio dia de sessão na capital da Alsácia.

Brasília atraiu a ira de Roma ao conceder o estatuto de refugiado político ao antigo membro do grupo "Proletários Armados pelo Comunismo", em 17 de janeiro. Com isso, sua extradição foi rejeitada.

Condenado à revelia por crimes cometidos no final dos anos 1970, durante os chamados "anos de chumbo", Cesare Battisti, que se diz inocente, refugiou-se no México e depois na França, antes de fugir para o Brasil quando Paris aceitou extraditá-lo para a Itália.

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