Parlamentares querem que Jobim explique mortes no Rio

Parlamentares defenderam hoje a convocação do ministro da Defesa, Nelson Jobim, para explicar no Congresso a morte de três jovens do Morro da Providência, no centro do Rio. Eles foram detidos por militares do Exército, que patrulhavam o morro, e entregues a traficantes de drogas do Morro da Mineira, dominado por uma facção criminosa rival.

Agência Estado |

Para a oposição, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva usou a Força, eleitoralmente, ao dar aval para que acompanhasse o Projeto Cimento Social, idealizado pelo senador Marcelo Crivella (PRB-RJ), pré-candidato a prefeito.

"O Exército não pode atuar como uma milícia, envolvida em uma empreitada particular. Se houve uso eleitoral, é lamentável", afirmou o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgilio (AM). "Usaram o Exército em campanha eleitoral, usou o Exército como cabo eleitoral. O que está acontecendo no Rio é um desrespeito aos militares. O presidente Lula está usando, indevidamente, o Exército com a aquiescência do 'ministro' do Exército", disse o deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA).

Virgilio apresentou hoje um requerimento de informações a Jobim com pedido para que sejam dadas explicações sobre as condições em que a corporação operava no Morro da Providência. Ele encontrou-se, rapidamente, com Crivella, que reconheceu ser o "pai" da proposta. "Ele (Crivella) disse que o desastre todo se deu por causa de um louco, um tenente desvairado que fez besteira", afirmou Virgílio.

Além do ministro da Defesa, o presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado, Heráclito Fortes (DEM-PI), quer que o ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República, general Jorge Félix, também dê explicações sobre o episódio. "Fiquei surpreso ao saber que as Forças Armadas estão tomando conta de obra no Rio", disse Fortes. "As Forças Armadas não devem ser colocadas em morro nem para fazer trabalho de segurança pública", observou o deputado José Genoino (PT-SP). O presidente do Congresso, senador Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), também condenou o uso das tropas no Morro da Providência.

"Acho que é preciso ter muito cuidado com essa função exercida pelo Exército. Sempre se disse que a tropa não estava treinada nem preparada para esse tipo de coisa", disse. "Cometeram um absurdo e quem fez isso precisa pagar. Mas não podemos condenar o Exército como um todo", afirmou o líder do PSB no Senado, Renato Casagrande (ES).

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG