Parlamentares pedem demissão do diretor-geral e economia no Senado

BRASÍLIA - Um grupo de senadores apresentou nesta quarta-feira uma lista com oito exigências moralizadoras que serão entregue ao presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). Entre as reivindicações, os parlamentares pedem a demissão imediata do diretor-geral da Casa, Alexandre Gazineo, e a contratação de uma autoria externa para analisar todos os contratos firmados pelo parlamento.

Carol Pires, repórter em Brasília |

Questionado sobre uma possível articulação entre os senadores para pedir a renúncia de Sarney, o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), um dos parlamentares do grupo, disse apenas que o importante é dar rumo à instituição.Para mim, ele [Sarney] ficar ou não ficar é irrelevante. Eu não votei nele, e se houvesse nova eleição, não votaria de novo. O importante é dar rumo à Casa, porque ele não sabe dar rumo à Casa, disse o senador pernambucano.  

Também fazem parte do grupo os senadores Tião Viana (PT-AC), Sérgio Guerra (PSDB-PE), Tasso Jereissati (PSDB-CE), Arthur Virgílio (PSDB-AM), Cristovam Buarque (PDT-DF), Renato Casagrande (PSB-ES), Pedro Simon (PMDB-RS) e Demóstenes Torres (DEM-GO).  

Os senadores ainda procurarão o apoio de outros parlamentares antes de entregar o documento ao presidente Sarney. O senador Cristovam Buarque, porém, não cogita a idéia de que as exigências não sejam cumpridas. A gente não levanta esta hipótese. Há uma ânsia por isso. Acredito que até o Sarney vai querer assinar isto aqui, afirmou. 

Desde o início deste ano, quando José Sarney assumiu o comando do Senado, o parlamento tem sido alvo de diversas denúncias, desde a farra com o uso da cota de passagens aéreas, quando senadores foram acusados de usar a verba para fretar jatinhos, até a descoberta de que a administração assinava atos secretos para admitir pessoas e firmar contratos sem informar a população. Nesta terça-feira, Sarney disse em discurso em plenário que a crise do Senado não é dele, e sim da instituição.  

Exigências 

Além da demissão imediata do diretor-geral do Senado, os senadores pedem a indicação de um novo diretor-geral referendado pelo plenário, e a apresentação de uma proposta de reforma administrativa por este novo diretor.  

No âmbito econômico, o grupo pede que a Mesa Diretora se comprometa com a redução do pessoal terceirizado e comissionado, a suspensão de novas contratações e ainda uma auditoria externa para todos os contratos firmados pela instituição. Os senadores propõem também a eliminação de vantagens acessórias inerentes ao mandato parlamentar. Eles não especificam, porém, quais seriam estas vantagens.

Hoje, além do salário de R$ 16 mil reais, os senadores podem pedir o ressarcimento de até R$ 15 mil mensais para custear gastos com o mandato parlamentar, além de uma cota de passagens aéreas, cota postal e conta de celular ilimitada.  

Por fim, a lista pede a realização de reuniões mensais em plenário para decidir sobre a pauta de votações da Casa e votar medidas administrativas propostas pela Mesa Diretora.

Discussão

Após o senador Tasso Jeireissati anunciar as oito exigências em plenário, o senador Wellington Salgado (PMDB-MG), suplente do atual ministro das Comunicações, Hélio Costa, saiu em defesa do presidente José Sarney. Segundo Salgado, os funcionários do Senado não podem ser responsabilizados pela crise.

Se tem culpa é do Senado. Esta história de colocar um nome mais poderoso que um senador, é mentira. Poderoso é o presidente, que nós o elegemos. Não há decisão que não passe pelo colégio de líderes e pela Mesa, observou. Vivemos aqui um teatro, um grande teatro. É uma lua de mel com a derrota, quem perdeu continua vivendo com a derrota, continuou Salgado, alfinetando o grupo de senadores ligados ao petista Tião Viana (AC), que perdeu a eleição da presidência do Senado para Sarney.

Em resposta, Tasso Jereissati sugeriu que Salgado não poderia opinar sobre o assunto, pois ocupa uma cadeira no Senado por ser suplente, e não porque foi eleito em pleito popular. Quem nunca disputou eleição, pense três vezes antes de falar em opinião pública. Há muito desconforto entre os senadores. Quem nunca disputou eleição na vida, não está na mesma situação de quem disputou. Minha vida, do senador Suplicy, do senador Cristovam, é relacionado à opinião pública, respondeu Jereissati.

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