Parlamentares e governadores homenageiam Tancredo Neves em sessão do Senado

A sessão solene do Congresso para celebrar o centenário de nascimento de Tancredo Neves contou com a participação do governador de Minas Gerais e neto de Tancredo, Aécio Neves; o governador de São Paulo, José Serra; e o presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer, além de parlamentares e familiares do político mineiro que morreu em 1985. Na abertura da sessão, a cantora Fafá de Belém interpretou o Hino Nacional.

iG São Paulo |

A sessão foi presidida pelo presidente do Senado, José Sarney, que, em 1985, foi eleito vice-presidente da República na chapa de Tancredo Neves e assumiu a presidência em seu lugar. "Há homens que dão a vida por um País: Tancredo deu mais, ele deu a morte", afirmou o presidente do Senado em discurso. Depois de fazer uma retrospectiva da biografia do político mineiro, Sarney contou detalhes da transição democrática brasileira.

Agência Senado
Aécio Neves discursa durante solenidade no Senado Federal
Na homenagem, deputados e senadores lembraram a trajetória política do mineiro de São João Del Rei, em especial sua participação no turbulento período que marcou o fim da ditadura militar e o processo de redemocratização do país.

Tendo José Sarney como vice, Tancredo de Almeida Neves foi eleito presidente da República pelo Colégio Eleitoral em 15 de janeiro de 1985. Na véspera de tomar posse, em 14 de março daquele ano, Tancredo foi internado em estado grave e o vice-presidente José Sarney assumiu o cargo. Depois de ser submetido a sete cirurgias - duas realizadas em Brasília e outras cinco em São Paulo -, o político mineiro morreu, no dia 21 de abril de 1985, na capital paulista.

A eleição de Tancredo marcou o rompimento de quase 21 anos de regime militar no País, que teve início em 31 de março de 1964. A chapa de Tancredo e Sarney, denominada Aliança Democrática, foi formada após a derrota da emenda Dante de Oliveira no Congresso, em abril de 1984, que previa eleições diretas para presidente da República.

Nascido em 4 de março de 1910, o advogado Tancredo Neves ingressou na política Partido Progressista, pelo qual foi eleito vereador em sua cidade natal, em 1935, cargo que exerceu até 1937. Posteriormente, elegeu-se deputado estadual e deputado federal pelo PSD (Partido Social Democrático), cargos que ocupou, respectivamente, de 1947 a 1950 e de 1951 a 1953.

Em 1953, Tancredo foi ministro da Justiça e também ministro de Negócios Interiores. Em 1954, foi eleito novamente deputado federal, ficando no cargo por um ano. Foi também diretor do Banco de Crédito Real de Minas Gerais (1955) e da Carteira de Redescontos do Banco do Brasil (1956-1958). De 1958 a 1960, assumiu a Secretaria de Finanças de Minas Gerais.

MDB

Com a instauração do regime parlamentarista, após a renúncia de Jânio Quadros, Tancredo foi nomeado primeiro-ministro, cargo que ocupou no período de 1961 a 1962. Em 1963, voltou a ser eleito deputado federal e foi um dos líderes do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), partido criado em 27 de outubro de 1965, a partir do Ato Institucional 2. Esse ato decretou a extinção de todos os partidos políticos então existentes e instituiu o bipartidarismo, representado pelo MDB e pela Arena (Aliança Renovadora Nacional).

Entre 1963 e 1979, Tancredo foi reeleito deputado federal seguidas vezes. Em 1978, após a volta do pluripartidarismo, Tancredo foi senador pelo MDB e fundou o PP (Partido Popular). Em 1983, deixou o PP e ingressou no PMDB, pelo qual foi eleito governador de Minas Gerais (1983-1984).

Foi durante esse período, de grande mobilização política em defesa de eleições diretas para presidente, que se consolidou a candidatura de Tancredo Neves para representar a coligação dos partidos de oposição ao governo, reunidos na Aliança Democrática.

Tancredo era um oposicionista ao regime autoritário, porém conciliador de linha moderada e formação liberal. Devido a sua história política e por ser um conciliador, era aceito pelos militares, sem risco de retrocesso político.

Polêmica

A doença de Tancredo foi tema polêmico mesmo depois de sua morte. Os diferentes diagnósticos divulgados desde sua internação - apendicite, diverticulite e infecção hospitalar - foram, após sua morte, seguidos de especulações quanto à existência de um tumor benigno (leiomioma).

Essa falta de clareza nas informações se explica pela situação política da época - havia ainda o receio de que a doença de Tancredo Neves comprometesse a transição para o regime democrático e levasse o país de volta ao controle dos militares. Segundo depoimento do governador de Minas Gerais, Aécio Neves - neto e então secretário particular de Tancredo -, e também do historiador e ex-ministro Ronaldo Costa Couto, temia-se que a verdade sobre a saúde de Tancredo impedisse a posse de José Sarney.

*com informações da Agência Senado

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