Parentes e amigos homenageiam dona Ruth Cardoso em SP; enterro será amanhã

São Paulo - Familiares e amigos prestam suas últimas homenagens à ex-primeira-dama Ruth Cardoso, na Sala São Paulo (região central da capital), onde seu corpo é velado desde as 11h30 desta quarta-feira. Autoridades continuam a chegar ao local, assim como admiradores. O velório será realizado até as 21h de hoje.

Lecticia Maggi, repórter Último Segundo |

Futura Press
Ex-presidente FHC se despede de dona Ruth Cardoso
Casados desde 1953, ex-presidente FHC se despede de dona Ruth Cardoso

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, casado desde 1953 com dona Ruth, chegou ao velório por volta das 12h30. Ao lado do caixão, despediu-se de forma carinhosa e emocionada da esposa. O filho do casal, Paulo Henrique, e a filha Luciana o acompanham. A filha Beatriz deve chegar hoje à noite da Europa - motivo pelo qual o enterro ocorrerá na quinta-feira, às 11h, no Cemitério da Consolação. Uma longa fila se forma para dar os pêsames ao ex-presidente.

Pela manhã, Fernando Henrique Cardoso recebeu telefonemas de pesar do ex-presidente dos Estados Unidos Bill Clinton, da mulher dele, Hillary, e do rei da Espanha, Juan Carlos.

Sobre o caixão da ex-primeira-dama, foram colocadas as bandeiras do Brasil e de Araraquara, cidade do interior paulista onde a antropóloga nasceu há 77 anos.

Autoridades não param de chegar ao local. O ex-ministro da Educação Paulo Renato de Souza, amigo da família, foi o primeiro, ainda pela manhã. Por volta das 13h, chegaram à Sala São Paulo o ex-governador e candidato a prefeito de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB) e sua mulher, dona Lu. Alckmin destacou o papel de Ruth Cardoso na fundação do PSDB e na criação de uma "rede social do governo" e disse que o Brasil perdeu "uma grande dama".

Também estão presentes o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), o de Minas, Aécio Neves (PSDB), a ex-prefeita e pré-candidata à Prefeitura de São Paulo Marta Suplicy (PT) -com o marido, Luis Favre-, o presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), os senadores Aloizio Mercadante (PT-SP) e Romeu Tuma (PTB-SP), o ex-governador e candidato a prefeito Paulo Maluf (PP-SP), os ex-ministros de FHC José Carlos Dias (Justiça) e Raul Jungmann (Desenvolvimento Agrário), e o presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), entre outros.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve chegar por volta das 16h. O presidente decretou, nesta quarta-feira, luto oficial de três dias -também decretado pelo governador de São Paulo, José Serra, e pelo governo de Minas.

Problemas cardíacos

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A antropóloga morreu na noite de terça-feira, no apartamento da família, em Higienópolis (região central da cidade), vítima de um enfarte fulminante. A ex-primeira-dama estava ao lado do filho. Fernando Henrique Cardoso, companheiro de dona Ruth desde 1953, não estava no apartamento, mas chegou em poucos minutos.

Ruth Cardoso tinha problemas cardíacos havia mais de seis anos e já havia passado por duas cirurgias para a implantação de stents - próteses metálicas colocadas no interior das artérias coronarianas para a desobstrução do fluxo sanguíneo.

A ex-primeira-dama foi internada na última quinta-feira no Hospital Sírio Libanês com fortes dores no peito que foram diagnosticadas como uma crise de angina - falta de irrigação sanguínea nos músculos cardíacos. Ruth permaneceu internada até segunda-feira de manhã, quando recebeu alta.

No mesmo dia foi internada no Hospital do Rim e Hipertensão (ligado ao Hospital São Paulo, da Universidade Federal de São Paulo), na rua Borges Lagoa, zona sul de São Paulo, onde passou por um cateterismo - procedimento invasivo para diagnosticar ou corrigir problemas cardíacos.

Dessa vez, passou menos de 24 horas internada e foi liberada pelos médicos para ir para casa. Segundo o cardiologista Arthur Beltrame, médico que fazia o acompanhamento da ex-primeira-dama, o procedimento foi considerado bem sucedido pela equipe clínica. Ela tinha problemas coronarianos há mais de seis anos e hoje teve uma morte súbita, afirma.

Beltrame explica que não havia motivos para mantê-la internada. O cateterismo foi considerado normal e os médicos estavam contentes com o resultado. No entanto, a medicina não é uma ciência exata, não é onipotente, afirma.

No velório, o cirurgião do hospital Sírio Libanês Raul Cutait, amigo da família, disse concordar com a avaliação de Beltrame. "Para quem tem o tipo de problema que dona Ruth tinha, a morte súbita não é incomum. Diante do quadro que havia, acredito que não tenha havido precipitação dos médicos ao dar alta", afirmou.

Em nota do Hospital do Rim e Hipertensão, lida em frente ao prédio da família, os médicos afirmaram que o problema arterial encontrado durante o cateterismo é o mesmo que já havia sido diagnosticado em 2004. De acordo com a nota, Ruth teve uma forte arritmia cardíaca antes de morrer. O comunicado é assinado pelos cardiologistas do Hospital do Rim e Hipertensão e da Unifesp, Arthur Beltrame, Valter Lima e Edson Stefanini.

Em vídeo, amigos se despedem de dona Ruth Cardoso:

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