Publicidade
Publicidade - Super banner
Brasil
enhanced by Google
 

Paralisia Cerebral e qualidade de vida

Paralisia Cerebral e qualidade de vida Por Cristiano Milani* Durante as últimas semanas, a campanha Teleton - que beneficia a AACD (Associação de Assistência à Criança Deficiente) - colocou em pauta uma doença que afeta milhares de crianças no país - a Paralisia Cerebral. Trata-se de um distúrbio causado por lesões cerebrais ou anormalidades do desenvolvimento ocorridas durante a gestação, no momento do parto ou mesmo logo após o nascimento.

Agência Estado |

Diferente do que muitas pessoas pensam, ela não é contagiosa e não compromete obrigatoriamente a inteligência da criança, a não ser que a lesão tenha afetado áreas do cérebro responsáveis pelo pensamento e pela memória. No entanto, paralisia cerebral pode afetar a visão, a audição ou a fala, o que prejudica o entendimento das informações e a comunicação. Por isso, muitas vezes a pessoa portadora de paralisia cerebral é classificada, de forma equivocada, como um deficiente mental.

A alteração do tônus muscular, ou espasticidade, é a conseqüência mais comum da paralisia e acontece em até 75% dos casos. Este distúrbio consiste na contração excessiva da musculatura que promove dificuldades funcionais graves dos movimentos, posturas anormais e dor, tornando os portadores dependentes da ajuda de outras pessoas para atividades como a alimentação, higiene e locomoção.

Por definição, a Paralisia Cerebral é um distúrbio persistente, porém não imutável da motricidade, pois, com os tratamentos atualmente disponíveis, é possível melhorar significativamente a qualidade de vida dos pacientes, promovendo o relaxamento e alongamento muscular, facilitando o equilíbrio, marcha e postura, além de amenizar a dor.

Mas, tão importante quanto técnicas e medicamentos, a inserção deste paciente na sociedade, sua integração na família e na escola são essenciais. Quando há o comprometimento motor, é preciso considerar e respeitar as limitações, mas, acima de tudo, também ajudá-lo a alcançar seu potencial de realização das atividades, contribuindo especialmente para a sua auto-estima.

A Toxina Botulínica Tipo A, muito popular por suas indicações estéticas contras as rugas, é usada com muito sucesso na reabilitação de crianças com Paralisia Cerebral. Aplicada diretamente nos músculos comprometidos, a substância provoca um relaxamento da musculatura e bloqueia a atividade motora involuntária, o que reduz a dor e aumenta a amplitude de movimento do paciente. Esta melhora é fundamental em todas as etapas do tratamento, pois permite que membros afetados sejam manejados pelos especialistas envolvidos, diminuindo a dor e facilitando as demais manobras de reabilitação, como o uso de órteses e o treino de marcha.

A aplicação da toxina botulínica, combinada com o trabalho de reabilitação, pode reduzir o uso de relaxantes musculares orais e, ainda, retardar ou evitar intervenções cirúrgicas. Poucos sabem, mas este tratamento é disponibilizado pelo SUS e coberto pelos planos de saúde regulamentados pela Lei 9656/98. Além disso, muitas entidades de assistência à criança com Paralisia Cerebral também oferecem o tratamento.

O trabalho de reabilitação realizado por uma equipe multiprofissional com atuação interdisciplinar, que inclua neurologistas, fisiatras, ortopedistas, enfermeiros, fisioterapeutas, fonoaudiólogos e psicólogos é fundamental para que o melhor benefício terapêutico seja atingido.

Dessa forma, muitas crianças com Paralisia Cerebral poderão ter perspectivas de diversos ganhos funcionais, incluindo a melhora da higiene, do equilíbrio, da marcha e de todas as atividades consideradas direitos da criança, como brincar e estudar.

Dr. Cristiano Milani, neurologista do Centro de Bloqueio Neuromuscular do Hospital Santa Cruz, em São Paulo, e coordenador do Serviço de Bloqueio Neuromuscular (NEUROACTIVE) do Hospital São Francisco de Ribeirão Preto. toxinabotulinica@yahoo.com.br

Leia tudo sobre: iG

Notícias Relacionadas


Mais destaques

Destaques da home iG