Paralisação de médicos surpreende pacientes que tinham consultas marcadas

Mais de 100 mil profissionais realizam boicote contra planos de saúde buscando reajustes dos honorários

iG São Paulo |

Mais de 100 mil médicos aderiram à paralisação desta quarta-feira que suspendeu atendimento em parte dos planos de saúde do país, equivalente a 70% dos profissionais do setor. A estimativa é do diretor de Saúde Pública e futuro presidente da Associação Médica Brasileira (AMB), Florentino Cardoso.

Organizada pela AMB, Federação Nacional dos Médicos (Fenam) e pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), a paralisação dá continuidade ao movimento iniciado em abril contra as operadoras, quando a categoria interrompeu o atendimento aos usuários de todos os planos para cobrar reajuste dos honorários médicos.

A suspensão do atendimento médico a pacientes conveniados de planos de saúde surpreendeu muitas pessoas que tinham consulta marcada nesta quarta-feira. No Distrito Federal, clientes de quatro operadoras (Amil, Bradesco, Golden Cross e SulAmérica) tiveram de remarcar o atendimento. A paralisação faz parte de uma mobilização dos médicos em 23 Estados e no DF para cobrar o reajuste dos honorários.

A aposentada Maria da Conceição Rocha, 78 anos, é uma das pessoas que não conseguiram ser atendidas durante a paralisação. Ela tinha consulta agendada com um ortopedista. “Estava com essa consulta marcada desde a metade de agosto, não sei mais quando vou conseguir marcar outra. É uma dificuldade muito grande conseguir médico bom nessa especialidade, quando consigo tem paralisação. Isso é um desrespeito e falta de compromisso os pacientes."

A aposentada contou que não ficou sabendo com antecedência da paralisação de 24h dos médicos. “Não sabia que teria paralisação hoje, isso é uma falta de desrespeito com o paciente, não custava nada o pessoal que agenda as consultas ligar e dizer que não teria atendimento”, reclamou.

Leia também: Médicos suspendem atendimento a planos de saúde em 23 Estados e DF

Segundo as entidades médicas, os pacientes foram avisados com antecedência da paralisação. Os atendimentos de urgência e emergência estão mantidos. Para o cardiologista Joubert Ariel, a paralisação é uma forma de a categoria reivindicar os seus direitos. “Sei que o cidadão fica prejudicado, mas, se não for assim, não conseguiremos atingir nosso objetivo", disse.

Os médicos querem aumento imediato dos honorários, reajuste fixo anual da remuneração e o fim da interferência das empresas em sua autonomia. As associações médicas defendem o valor de R$ 60 por consulta. De acordo com elas, os planos pagam, em média, R$ 40. Segundo a categoria, as mensalidades dos planos foram reajustadas em 150% nos últimos anos. No entanto, as operadoras destinam menos de 20% da arrecadação para a remuneração dos profissionais. 

O protesto ocorre em 23 Estados e no Distrito Federal. Em nove, os médicos credenciados suspendem as consultas de todas as operadoras – Ceará, Espírito Santo, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro e Tocantins. O Amazonas, o Rio Grande do Norte e Roraima são os únicos Estados em que os médicos não pararam porque entraram em acordo com as operadoras ou chegaram a um consenso.

Os atendimentos de urgência e emergência são mantidos durante a mobilização. Segundo as entidades médicas, os pacientes foram avisados com antecedência da paralisação e devem reagendar as consultas. A Federação Nacional de Saúde Suplementar (Fenasaúde), que representa 15 das maiores operadoras do País, informa que vem negociando a remuneração com os médicos. A entidade alega que suas afiliadas estão entre as que pagam os maiores valores.

Paraná

Cerca de 90% dos 10 mil médicos conveniados a planos de saúde no Paraná suspenderam o atendimento aos segurados nesta quarta-feira. Segundo o presidente da Associação Médica do Paraná (AMP), José Fernando Macedo, casos de urgência e emergência receberam atendimento normal e não houve reclamações por falta de médicos conveniados nos hospitais de Curitiba. Os médicos reagendaram as consultas eletivas, para que nenhum paciente fosse prejudicado.

Nos últimos seis meses, no Paraná, cerca de 2 mil médicos solicitaram descredenciamento dos planos de saúde. Os médicos reivindicam o reajuste dos honorários conforme os valores atualizados da Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos (CBHPM). Além disso, pedem a aprovação do Projeto de Lei 6.964, de 2010, que propõe o reajuste anual dos honorários médicos, entre outras reivindicações. Segundo o presidente da AMP, o ideal para o mercado paranaense são honorários entre R$ 80 e R$ 100. Atualmente os planos pagam entre R$ 42 e R$ 45.

São Paulo

De acordo com o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp), 45 mil médicos suspendem o atendimento a 11 planos e seguros de saúde no Estado, onde a mobilização vai afetar empresas de planos de saúde que não aceitaram negociar com os médicos ou ainda não chegaram ao patamar mínimo de R$ 50 por uma consulta. A paralisação vai afetar mais de 3 milhões de pessoas.

Rio de Janeiro

Pelo menos 10 mil médicos aderiram à paralisação de Estado do Rio de Janeiro. O número representa 90% dos profissionais credenciados a planos de saúde, segundo cálculos do Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro (Cremerj). No final da manhã, alguns representantes do movimento se reuniram em frente à sede da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), para pressionar e exigir que a entidade reguladora intervenha no reajuste dos valores repassados pelas operadoras aos profissionais de saúde.

* Com informações da Agência Brasil

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