Paraíba tem 101 municípios em estado de emergência

O Estado da Paraíba registra 101 municípios em estado de emergência por conta das chuvas que atingem a região, segundo informações da Defesa Civil do Estado. Este número é quase metade do total das cidades da Paraíba, que chegam a 223.

Agência Estado |

O governo do Estado está providenciando, em caráter de urgência, o transporte de 5.800 cestas básicas para serem distribuídas entre os mais de 17 mil desabrigados e desalojados.

Rio Grande do Norte

A chuva também causa prejuízo a outros Estados da Região Nordeste. Nos próximos meses, por exemplo, o saldo de 20 mil pessoas desabrigadas devido ao excesso de chuvas no Rio Grande do Norte deverá se tornar um problema ainda mais grave.

Segundo informações do jornal "Tribuna do Norte", setores de destaque da economia potiguar pelos empregos, divisas e receitas gerados, carcinicultura, fruticultura e salicultura sofreram duros golpes, com perdas que, juntas, podem ultrapassar os R$ 200 milhões, além da ameaça de corte ou suspensão de milhares de postos de trabalho.

Empresários dessas áreas, cujas atividades se concentram no Vale do Açu, têm mantido contato e reuniões nos últimos dias, em busca de aferir o tamanho dos danos. Na semana passada, a Associação Brasileira de Criadores de Camarão (ABCC) anunciou que as perdas estão estimadas em R$ 16,6 milhões, nos quais estão inclusos 1,5 mil hectares invadidos pelas águas e 1,7 mil toneladas de camarão perdidas.

Na fruticultura - cujo principal produto, o melão, ficou protegido devido ao fim da safra no mês passado -, o grande baque foi na produção de banana, um dos destaques da pauta de exportação. Houve perda ainda no cultivo de mamão e manga, sem contar a agricultura familiar e as pequenas plantações de feijão e milho.

De acordo com o Comitê Executivo de Fitossanidade (Coex), os males entre os produtores de frutas ainda estão sendo levantados, mas estima-se que sejam de pelo menos US$ 60 milhões (R$ 100,8 milhões). Um valor que pode chegar a R$ 154 milhões apenas para a banana.

Somente quando as águas baixarem será possível avaliar a real destruição de equipamentos, produtos e estrutura física. Porém, em reunião na semana passada, empresas de extração, refino e moagem de sal já chegaram a falar em perdas de até 35% da produção.

De acordo com o Sindicato da Indústria e Extração do Sal (Siersal), o fornecimento do sal para consumo humano pelas empresas potiguares - que abastecem mais de 90% do mercado brasileiro - vai ficar comprometido, uma vez que os estoques são baixos, o que deverá refletir nos preços. Com a mercadoria que estava nas salinas perdida e a água doce demais para produzir, ainda não se sabe quando a extração será normalizada.

Os empresários dizem ter sido pegos de surpresa. Não tinha a menor condição de isso ser evitado. Foi uma fatalidade, diz o presidente do Coex, Segundo de Paula, mas o governo não pode ficar só na retórica, tem que haver ação. Porém, para o diretor da Potiporã, Sérgio Lima, se a barragem de Oiticica tivesse sido construída com capacidade maior, como previsto no projeto original, o volume de águas que chegou aos viveiros poderia ter sido menor. A Potiporã é a maior produtora de camarão do estado e teve 66% dos seus 960 hectares em Pendências inundados.

Agora, além de se preocuparem em acompanhar o tempo para saber se as chuvas intensas vão continuar, os empresários têm que buscar saídas. Uma das sugestões, que vem da ABCC, é a criação de um fundo, alimentado com dinheiro público, para financiamento emergencial às empresas atingidas. O governo estadual ainda não avaliou a proposta. 

Fruticultura será a mais prejudicada

Especialistas do IBGE, o economista Aldemir Freire e o engenheiro Agrônomo Tarcísio Alberto fizeram análises sobre as perdas da banana - quarto item mais exportado pelo RN. O Vale do Açu, uma das mais afetadas pelas chuvas, é a principal região produtora: os municípios que fazem parte dela respondem por 49% da área cultivada com banana no estado, por 70% da produção e pela quase totalidade das exportações; e é lá que está localizada a Del Monte, uma das maiores produtoras e exportadoras da fruta no Nordeste.

Desta forma, segundo os especialistas, os prejuízos com o produto no estado ficarão entre R$ 31 milhões - caso só se perca 20% da produção e do plantio -, mas poderão alcançar até R$ 154 milhões, caso toda a produção e o plantio sejam perdidos. Optamos por usar estimativas de faixas de perdas, tendo em vista que no momento atual é quase impossível se determinar com exatidão o prejuízo, dizem.

Eles consideraram perdas com produção e custos com novo plantio, que depende muito da disponibilidade de matéria-prima, já que banana não é plantada por sementes e sim por rizomas (partes do caule). Qualquer que seja o cálculo, os prejuízos serão significativos. Não há dúvidas que o Vale do Açu concentrará parte expressiva dos danos materiais ocasionados pelas chuvas de 2008, avaliam.

Como vamos fazer para recuperar isso?, questiona o presidente do Coex, Segundo de Paula. Até agora, não há um posicionamento oficial dos governos federal e estadual sobre as perdas as empresas. Não sei se um fundo emergencial poderia cobrir tudo, diz ele, referindo-se à proposta dos carcinicultores. Os representantes do setor vão se reunir na próxima terça-feira para avaliar as perdas e pensar em soluções - rápidas - para pagamento de credores, funcionários e manutenção das empresas atingidas no mercado.

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