Paraguaios podem definir hoje fim de colorados no poder

Até às 16 horas (17 horas no horário de Brasília) 2,8 milhões de paraguaios irão às urnas para eleger o novo presidente do país. Os três principais candidatos estão em contagem regressiva, esperando as primeiras bocas de urna desta disputa, a mais acirrada nos últimos 61 anos.

Agência Estado |

Estas eleições possuem um sabor histórico para os paraguaios, já que está em jogo a permanência - ou não - do Partido Colorado no governo, organização que há 61 anos controla o poder presidencial. No Paraguai não existe segundo turno nas eleições, portanto, o resultado de hoje definirá quem comandará o país nos próximos cinco anos.

Os candidatos com as melhores chances são o bispo (suspenso temporariamente pelo Vaticano de suas funções eclesiásticas) Fernando Lugo, da coalizão Aliança Patriótica para a Mudança (APC); Blanca Ovelar, ex-ministra da Educação, candidata da Associação Nacional Republicana (ANR), nome oficial do governista Partido Colorado; e Lino Oviedo, o general de reserva - e ex-golpista - candidato da União Nacional de Cidadãos Éticos (Unace).

As últimas pesquisas indicavam que Lugo contava com uma intenção de voto entre 31% e 35%. Seus eleitores consideram que o bispo Lugo poderá fazer o milagre de derrotar os colorados, enraizados há seis décadas no poder. Segundo as pesquisas, Blanca Ovelar oscila entre os 22% e 29%. Seus simpatizantes esperam que nos últimos dias tenha ocorrido uma virada, e que os paraguaios apostem em uma continuidade com mudanças graduais, em vez da novidade desconhecida que significaria ter a oposição no poder.

Oviedo também oscila entre os 22% e 29%. Seus seguidores consideram que o general conta com um grupo consistente de eleitores, e que uma virada de última hora poderia garantir ao general uma chance de vitória. Mas, eles também resignam-se a eventual derrota na disputa pela presidência. No entanto, se satisfazem em saber que seu partido será o fiel da balança no Parlamento. Seja quem for o próximo presidente, terá que negociar com Oviedo para governar sem solavancos.

Outros candidatos ficaram nos últimos lugares das pesquisas, como o empresário Pedro Fadul, do partido Patria Querida; Horacio Galeano Perrone, do Movimento Teta Pyhaé (que em guarani significa "Pátria Nova") e Julio López, do Partido dos Trabalhadores.

Os paraguaios também renovarão as 80 vagas da Câmara de Deputados e 45 do Senado. Além disso, elegerão os governadores de 18 departamentos (unidades correspondentes aos estados brasileiros) e os 18 parlamentares do Parlasur, o Parlamento do Mercosul.

Acusações

A oposição alerta para o perigo de fraude por parte do governo do presidente Nicanor Duarte Frutos, que tenta eleger sua candidata, Blanca. O governo contra-ataca, e sustenta que a oposição está condenada à derrota, e que o bispo Lugo, com a suposta ajuda de militantes chavistas venezuelanos, está preparando distúrbios para este domingo à noite.

Os especialistas consideram que Lugo, para garantir sua vitória e driblar as eventuais fraudes, precisaria ter uma vantagem de 5%. Segundo o sociólogo e ex-deputado Bernardino Cano Radil, o aparato estatal paraguaio e a estrutura ampla do Partido Colorado tem capacidade de gerar uma fraude equivalente a 2% a 3% do total dos votos em uma eleição presidencial. "Lugo, para ficar tranqüilo tem que conseguir mais de 5%", explicou à Agência Estado.

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