Paraguai insiste em dispor livremente de energia de Itaipu

ASSUNÇÃO (Reuters) - O Paraguai reafirmou ao Brasil, sócio na hidrelétrica de Itaipu, o pedido de receber livremente sua fatia da energia gerada para poder vendê-la a outros países, disse na terça-feira um dos negociadores paraguaios envolvidos no processo. Paraguai e Brasil iniciaram meses atrás um complexo processo de renegociação sobre a hidrelétrica que ambos dividem no rio Paraná e que gera cerca de 90 milhões de megawatts por ano.

Reuters |

O coordenador do grupo paraguaio de negociação, Ricardo Canese, disse a uma rádio do Paraguai que a solicitação "sobre a livre disponibilidade de energia é o ponto mais difícil" das conversações, mas que seu país o defenderá com firmeza.

Comissões técnicas do Brasil e do Paraguai se reuniram até altas horas da noite na segunda-feira para tratar das demandas paraguaias, entre as quais uma elevação do preço da energia vendida aos brasileiros e a revisão da dívida sobre a construção de Itaipu, uma das maiores hidrelétricas do mundo.

O tratado de criação da usina determina que cada país é dono de metade da energia gerada e que deve vender o excedente a seu sócio, a um preço estabelecido por um acordo vigente até 2023. O Paraguai deseja rever esse preço porque o valor estaria abaixo da média do mercado.

"Sem dúvida, no tema da livre disponibilidade de nossa energia, algo que diz respeito a nossa soberania e que é um tema fundamental, há um ponto de divergência", afirmou Canese.

"Essa é a questão mais complicada e ficou decidido que o Paraguai apresentará uma proposta completa, abarcando ainda o aspecto jurídico e a solução que estamos sugerindo," acrescentou.

O funcionário observou que a reunião, realizada na própria Itaipu (localizada 350 quilômetros a leste de Assunção), transcorreu dentro de um clima de "muita compreensão na postura da contraparte", mas que houve "momentos muito tensos" porque o Paraguai mostrou-se firme na defesa de seus interesses.

A delegação brasileira foi comandada pelo secretário-executivo do ministério de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, e a paraguaia pelo vice-ministro das Relações Exteriores, Jorge Lara Castro, .

"Quanto ao preço justo e à dívida, apresentamos propostas e o Brasil deve fazer uma contraproposta", afirmou Canese, acrescentando que outros pontos discutidos, tais como a administração conjunta e a conclusão de obras, estão "praticamente resolvidos",

Os negociadores se encontrarão novamente no fim de novembro, em uma reunião que contará com a presença dos ministros das áreas de energia dos dois países.

Itaipu gera cerca de 20 por cento da energia total consumida pelo Brasil, o qual utiliza quase 90 por cento da produção da usina.

(Reportagem de Mariel Cristaldo)

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