Os organizadores da Parada do Orgulho de Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transgêneros (GLBT) de São Paulo querem reforçar o tom político da manifestação deste ano. A Parada 2008 acontece domingo, a partir do meio-dia, na Avenida Paulista.

"A Parada é política", afirma o presidente da Associação da Parada do Orgulho GLBT de São Paulo (APOGLBT-SP), Alexandre Santos. "Existe também uma festa, para mostrar o orgulho que sentimos de ser o que somos, mas o tom é político. Queremos que quem for entenda o sentido do que está fazendo."

Para o coordenador-geral das atividades do Mês do Orgulho GLBT, Manoel Antônio Zanini, a função principal da parada é conscientizar a população. "Queremos vender conscientização, não um show popular", diz Zanini. "A maior beneficiada precisa ser a causa GLBT." O coordenador-geral de Diversidade Sexual da Prefeitura de São Paulo, Cássio Rodrigo, explica o caráter da manifestação: "É um protesto pelos direitos que nos são negados nos outros 364 dias do ano."

A parada, que reuniu 3,5 milhões de pessoas na última edição, vai protestar contra a interferência da religião nas decisões políticas e jurídicas do País. Uma das principais bandeiras levantadas pelo tema "Homofobia mata! Por um estado laico de fato" é a aprovação do Projeto de Lei 122/06, da Câmara dos Deputados. O PL criminaliza a homofobia e pune quem discriminar homossexuais em espaços públicos, privados, no ambiente de trabalho ou impedir a expressão de afetividade entre pessoas do mesmo sexo.

Para Santos, a parada pode sensibilizar deputados e senadores para que assegurem os direitos dos gays. "O Congresso não pode ser confundido com o púlpito de uma igreja", diz. "A lei deve servir a crédulos e incrédulos. O Estado precisa ser o maior protetor dos nossos direitos." O PL foi aprovado na Câmara, mas teve a votação adiada no Senado na quinta-feira por pressão de líderes religiosos.

Segurança

Cuidarão da segurança dos participantes nos 3,5 quilômetros do percurso da parada mil policiais militares e 320 seguranças particulares, contratados pela organização do evento. Outros 400 homens da Polícia Militar (PM) patrulharão os arredores do evento.

Antes do início da manifestação, agentes da polícia e da Guarda Civil Metropolitana (GCM) farão uma varredura para inibir a venda de produtos irregulares. Em 2007, um vinho feito irregularmente levou muita gente aos postos médicos.

Para garantir a remoção de quem precisar de socorro, haverá oito bolsões com grades e dois recuos ao longo do percurso. No recuo em frente ao Cemitério da Consolação, haverá um telecentro para registro de boletins de ocorrência. Para casos de emergência, haverá 26 ambulâncias e três hospitais de campanha com um total de 80 leitos, no Parque Trianon, no Cemitério da Consolação e na Praça Roosevelt. Um helicóptero da PM ficará a disposição.

O coronel da PM Álvaro Camilo, responsável pela segurança do evento, recomendou aos participantes moderação na ingestão de bebida alcoólica e atenção a câmeras fotográficas e celulares. A falta dos dois cuidados provocou a maioria das ocorrências na edição anterior da parada. "Pegamos várias pessoas com até 20 celulares roubados. É o furto de oportunidade", diz Camilo.

A Federação do Comércio de São Paulo (Fecomércio) vai aproveitar as comemorações do Mês do Orgulho GLBT para fazer uma pesquisa para a criação de um selo de Qualidade no Atendimento e Respeito à Diversidade Sexual. "Atender bem tem tudo a ver com respeitar a diversidade", diz o diretor de Marketing da Fecomércio, Adriano Sá.

Público

A federação fará uma pesquisa qualitativa com o público da Feira Cultural GLBT, que acontece na quinta-feira, na Praça da República. "Vamos delimitar com base nesses dados os pontos determinantes para a concessão do selo", explica Sá. "Existe um aspecto comercial, de mostrar aos comerciantes que incluir é um bom negócio, mas também um aspecto mais amplo, de sustentabilidade social."

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