Para ter resultados, dietas precisam de acompanhamento médico

Receitas milagrosas disponíveis na internet. Uma semana ingerindo apenas suco de limão, chá verde e branco, fatias de abacaxi, misturas de ervas vendidas em farmácias populares, fórmulas desintoxicantes ou até mesmo vinagre antes das refeições.

Agência Estado |

E, ainda com a aproximação do verão, as dietas exóticas se multiplicam, prometendo um corpo mais magro e perda de peso em poucos dias. O problema é que dieta nenhuma, dizem os médicos, pode ter resultados sem o acompanhamento de um especialista e a prática regular de exercícios físicos.

Pouco importa se o chá é amargo ou o vinagre puro. Não é lá uma das coisas mais saborosas. O importante é o resultado, e quanto mais rápido melhor. “As pessoas adoram seguir os modismos, mas dietas como essas não têm o menor embasamento científico. O importante é que ela seja balanceada, caso contrário a pessoa pode até perder peso, mas, na verdade, vai estar perdendo água e massa muscular ”, diz o endocrinologista e nutrólogo João César Castro Soares, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Seguir a orientação médica exige esforço, mas em todo caso vale a regra: quanto mais exótica e longe de seus padrões alimentares for a dieta, maior a probabilidade de dar errado. Ou seja, mesmo que exista a perda de peso momentânea, a tendência é voltar a engordar em pouco tempo - a não ser que o abacaxi seja sua única alimentação pelo resto da vida ou você se acostume logo ao sabor do vinagre puro.

O problema é que neste caso o que se perde é mais do que peso: a saúde é sacrificada. “Existem dietas sem nenhuma comprovação médica que acabam causando desidratação e fazendo mal”, ressalta o presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), Ruy Lyra.

O médico explica que outro perigo é o uso de medicamentos sem o acompanhamento profissional. “No serviço público, encontramos mais casos de pessoas que acreditam que ingerir vinagre antes das refeições ajude a emagrecer, por exemplo. Para os pacientes de classe média, é mais comum o uso de fórmulas manipuladas e drogas como o hormônio tireoidiano, que pode levar à morte.”

Reeducação

Apenas cortar carboidratos, proteínas ou gordura não é a solução, diz o endocrinologista Lian Tock, da Unifesp. O ideal, explica, é o equilíbrio entre os nutrientes. “Uma dieta balanceada deve ter cerca de 50% de carboidratos e entre 30% a 40% de proteínas e lipídios”, explica. Os fatores genéticos, no entanto, não podem ser desprezados. Apesar de ser magro, o próprio Tock vem de uma família com histórico de obesidade. Para os que tiveram menos sorte, faz apenas uma indicação. “Não é só atividade física ou a dieta que vão fazer a diferença. É preciso passar por uma reeducação alimentar, mudar a forma de pensar e o estilo de vida”, diz.

Emilio Sant’anna

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