Para Tarso, grampo contra Mendes ¿dificilmente será identificado¿

BRASÍLIA - O ministro da Justiça, Tarso Genro, disse nesta quinta-feira que dificilmente o responsável pela interceptação telefônica ilegal da qual foi alvo o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, será encontrado se ela tiver sido feita em caráter privado. ¿Com essa privatização da ¿arapongagem¿ no Brasil, será difícil achar quem o fez. Provavelmente, não saberemos dizer de onde veio a escuta se ela for privada. Dificilmente vai-se achar o responsável¿, disse em depoimento a CPI dos Grampos da Câmara dos Deputados.

Carol Pires, Último Segundo/Santafé Idéias |

De acordo com o delegado Roberto Tronco, segundo homem na hierarquia da Polícia Federal (PF), a investigação sobre este caso deverá ser concluída no próximo mês de janeiro. Mas Trocon não descarta a possibilidade de pedir a prorrogação das apurações.

A reunião da CPI dos Grampos ocorreu excepcionalmente hoje no Ministério da Justiça. Em sua exposição, Tarso Genro observou que, se ficar confirmada a participação da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) na Operação Satiagraha, estará configurada a perversão do Estado Democrático de Direito. A operação culminou na prisão do banqueiro Daniel Dantas, do ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta e do megainvestidor Naji Nahas, entre outros, em julho deste ano, por envolvimento em crimes contra o sistema financeiro. 

Ainda segundo o ministro, o delegado Protógenes Queiroz, responsável pela primeira parte da Operação Satiagraha, poderá responder ação administrativa se ficarem provados os supostos abusos cometidos por ele no período em que esteve à frente do caso. Atualmente, Protógenes é investigado por cinco crimes: quebra de sigilo funcional, desobediência, usurpação de função pública, prevaricação, grampos e filmagens clandestinas.  

O delegado Protógenes não é diabo nem deus. Ele é um agente público comprometido que, se tiver algum tipo de responsabilidade, vai responder, Genro. A conclusão da investigação também deve ocorrer em janeiro. 

O ministro negou ainda que desdobramentos da Operação Satiagraha tenham criado uma cisão na PF. A PF não está rachada, não está em crise. Há, sim, pessoas que não estão contentes. Mas em que instituição não há?, questionou.

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