Para sobreviver, Sarney deve sacrificar diretor

Envolvido no escândalo dos atos secretos, o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), pretende sacrificar o atual diretor-geral da Casa, Alexandre Gazineo, para garantir sua sobrevivência no cargo. Sarney está abatido com a revelação feita pelo jornal O Estado de S. Paulo da existência dos boletins reservados, que beneficiaram seus familiares.

Redação com Agência Estado |

Parlamentares que o visitaram afirmam que Sarney não dá brecha para que lhe sugiram abandonar o cargo. Ele ainda tem esperança de recompor o Senado com a opinião pública, brecando qualquer movimento pela renúncia. A receita é simples: tirar Gazineo da diretoria-geral, passando o posto a um gestor fora do quadro do Senado, que tenha um perfil "acima de qualquer suspeita". Mas isso não é tudo.

Em desabafo a mais de um interlocutor ontem, o presidente do Senado avaliou que "agora não tem mais jeito" e afirmou que não vai "segurar" mais nada. Ao contrário, disse que sua intenção é "abrir tudo", respeitando seu estilo, que não é de "espalhafatos".

Embora a crise tenha origem em desmandos administrativos e denúncias de corrupção, o grupo político de Sarney e do líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), avalia que setores do PT e da oposição querem enfraquecê-lo para abrir uma nova disputa pela cadeira de presidente do Congresso.

'Segredo' no Senado

Na semana passada, foi divulgado que um levantamento feito por técnicos do Senado, a pedido da Primeira-Secretaria, detectou cerca de 300 decisões que não foram publicadas, muitas delas adotadas há mais de 10 anos. Atos administrativos secretos foram usados para nomear parentes, amigos, criar cargos e aumentar salários.

Essas medidas entraram em vigor, produzindo gastos desnecessários e suspeitas da existência de funcionários fantasmas. O jornal "O Estado de S. Paulo" teve acesso a esses atos secretos, que, após o início da investigação interna, começaram a sair como "boletins suplementares", inseridos nos respectivos meses a que se referem, com data da época.

O Senado publica diariamente um boletim acessado pelos servidores com as nomeações e mudanças administrativas internas. Ao assumir a Primeira-Secretaria em fevereiro, o senador Heráclito Fortes (DEM-PI) foi avisado de que muitas decisões não saíram na Diretoria-Geral, então comandada por Agaciel Maia, por tratarem de medidas questionáveis, a maioria para agradar ao grupo do ex-diretor e também do alto comando político.

(Com informações do jornal "O Estado de S. Paulo")

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