O secretário Estadual da Saúde, Osmar Terra, disse hoje que o Rio Grande do Sul concentrará, em poucos dias, a maior quantidade proporcional de infectados, após a morte do caminhoneiro Vanderlei Vial, 29 anos, vítima do vírus A (H1N1). O fenômeno se confirmará, segundo Terra, em virtude das largas fronteiras gaúchas com Argentina e Uruguai, onde o quadro é de epidemia.

Terra disse que já sugeriu ao ministro da Saúde, José Gomes Temporão, que o Brasil deixe de fazer a contenção, passando a tratar a gripe A como epidemia.

Cumprindo roteiros de trabalho, Vanderlei Vial fez viagem à Argentina, onde permaneceu entre os dias 28 de maio e 15 de junho. Ele contraiu o H1N1 e no último dia em solo estrangeiro já apresentava sintomas, como dor no corpo, febre e tosse. Em 19 de junho, ele retornou a Erechim, cidade em que residia, e somente no dia seguinte resolveu buscar atendimento no Hospital Santa Terezinha.

Os exames apontaram a incidência do vírus e, logo em seguida, o paciente teve agravo no sistema respiratório. Ele não fora medicado com o antiviral que ameniza os sintomas da doença, pois o efeito é observado somente até o segundo dia de evolução. Vial já estava no quinto dia de convalescença, tornando inútil a tentativa de recorrer ao remédio. Três dias depois do diagnóstico, foi transferido para a Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) do Hospital São Vicente de Paula, em Passo Fundo, com quadro avançado de pneumonia viral.

A situação evoluiu para insuficiência respiratória e coma. Na manhã de hoje, após a tentativa de reanimar a vítima, foi confirmado o óbito. Terra disse que o enfermo apresentou reação rara, mostrando-se mais sensível, mas também afirmou que o diagnóstico tardio contribuiu para o falecimento. "Ele apresentou um agravo maior do que os outros casos, é algo raro. Mas a demora em buscar o atendimento teve a sua influência", destacou.

Antes de ser internado, ainda em Erechim, o caminhoneiro transmitiu a doença para cinco familiares, inclusive à esposa. Entretanto, todos são monitorados e passam bem. As autoridades investigam a rota de retorno utilizada pelo caminhoneiro. Sabe-se que ele não entrou no país pelo Rio Grande do Sul. As hipóteses mais fortes são de ingresso pelas fronteiras do Paraná ou Santa Catarina.

Terra ressaltou a baixa letalidade da doença, comparou à gripe comum e reafirmou que não há motivos para suspender aulas, eventos ou decretar calamidade. "O vírus não circula por aqui. Todos os casos são importados ou tem correlação com pessoas infectadas no exterior", assegurou. No entanto, ele admitiu que o Rio Grande do Sul deve tornar-se, em alguns dias, o maior foco da Gripe A no país devido a sua extensa fronteira com Argentina e Uruguai, onde o estado é de epidemia.

Para enfrentar a situação, Terra informou que todos os hospitais e postos de saúde do Estado farão, a partir de agora, o atendimento e diagnóstico do H1N1. A Secretaria da Saúde já oferece verba para que profissionais façam hora-extra e, além disso, a pasta dará treinamento e suporte para a realização do exame responsável por identificar a virose. O secretário reiterou várias vezes que somente ao manter contato com viajantes é possível contrair o H1N1. "Todos os demais estão com a gripe comum, típica do inverno", esclareceu.

Terra detalhou ainda os casos do americano Michael Glenn Brannan, 58 anos, falecido na sexta-feira em Montenegro, e da menina de 14 anos que está internada em estado grave no município de Santa Maria. Os exames preliminares apontaram que a morte de Brannan foi causada por complicações bacterianas. No entanto, a hipótese da Gripe A só será descartada totalmente quando a Fundação Osvaldo Cruz (Fiocruz) revelar o resultado dos derradeiros exames.

A adolescente, que contraiu o vírus na Argentina, segue em estado grave, mas o seu quadro de saúde teve paulatina melhora nos últimos dias. O boletim mais recente da Secretaria Estadual da Saúde aponta que o Rio Grande do Sul tem 76 casos confirmados e 97 suspeitos, enquanto outros 36 foram descartados.

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