A direção nacional do PT e o Palácio do Planalto correm em busca de uma solução para o impasse entre os dois pré-candidatos petistas ao governo de Minas Gerais, o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel e o ministro do Combate à Fome, Patrus Ananias.

A disputa interna coloca em risco o desempenho eleitoral da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, no segundo maior colégio eleitoral do País . Além da ameaça de rachar o partido, a disputa pode dificultar uma aliança regional com o PMDB que, por sua vez, inviabilizaria uma coligação nacional.

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 ex-prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel (em pé), ao lado do prefeito em exercício da cidade, Roberto Carvalho (gravata vermelha), toma café da manhã na prefeitura durante visita, nesta quinta-feira

Pimentel (em pé), ao lado do prefeito em exercício de BH, Roberto Carvalho

Amigo de Dilma desde a militância clandestina, na década de 60, Pimentel conta com o apoio da ministra. Nas duas últimas disputas com Patrus, ele levou a melhor. Em 2006, conseguiu viabilizar a aliança com o PSDB para a eleição do prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda. Em novembro do ano passado, o apoio de Pimentel foi fundamental na eleição de Reginaldo Lopes para a presidência do PT-MG.

Reginaldo bateu o secretário nacional de Comunicação do partido, Gleber Naime, apoiado por Patrus, em uma eleição apertada e marcada por denúncias de fraudes. Em entrevista ao iG , Pimentel admitiu abrir mão da candidatura em nome da aliança com o PMDB.

Impasse ameaça aliança com o PMDB

Já Patrus tem o apoio da direção nacional do partido, descontente com a aproximação com o PSDB patrocinada por Pimentel em 2006. Além disso, conta com o trunfo de ter colocado em funcionamento o Bolsa Família, principal projeto social do governo Luiz Inácio Lula da Silva.

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Patrus ao lado de Lula em evento no fim do ano em São Paulo

Patrus ao lado de Lula em
evento no fim do ano em São Paulo

Em entrevista ao iG , Patrus descartou a hipótese de abrir mão da candidatura em favor do PMDB . Ele defende a realização de uma prévia para a escolha do candidato.

O impasse emperra as negociações com o PMDB do ministro das Comunicações, Helio Costa, pré-candidato líder em todas as pesquisas de opinião. O PT tem que resolver o problema interno. Enquanto isso não temos o que fazer, disse o presidente estadual do partido, Antonio Andrade.

Segundo ele, se o PT mineiro não apoiar Costa estará rompendo o pré-acordo firmado entre as cúpulas dos dois partidos que tem como base dois pontos principais: o PMDB indica o vice de Dilma, ambos partidos apóiam, nos estados, o candidato com mais chances de vitória.

Não tem o que discutir. Não se resolve o problema nacional sem resolver Minas Gerais. Se o PT não nos apoiar o acordo nacional está rompido, disse Andrade.

"Solução Alencar"

Desde o final do ano passado o PT vem buscando, sem sucesso, uma saída para a crise em Minas. Uma delas seria a indicação de  Helio Costa para vice de Dilma e de Pimentel para a coordenação da campanha da ministra.

Na semana passada, o nome do vice-presidente, José Alencar (PRB), passou a ser cogitado para disputar o governo. Alencar admitiu, em entrevista ao iG , a possibilidade de ser candidato .

Nos bastidores do PT, a solução Alencar é vista como uma interferência indireta de Lula, que não quer arbitrar diretamente a disputa, mas também dá a dimensão do tamanho da crise e do risco que leva à candidatura Dilma.

Na primeira reunião ministerial do ano, realizada na quinta-feira, Lula teria afirmado que Alencar "está muito animado para a política" e foi muito aplaudido. No encontro com os ministros, porém, ele se referiu apenas ao vice para candidato ao Senado.

Dificilmente o Alencar será liberado pelos médicos para uma campanha desta magnitude, mas ao colocar seu nome na disputa ele obrigaria Patrus e Pimentel a recuarem e o Planalto retomaria as rédeas da campanha em Minas, disse um alto dirigente petista.

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