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Para quê tem servido o sexo?

Para quê tem servido o sexo? Por Oswaldo Rodrigues Jr. (*) São Paulo, 24 (AE) - A palavra sexo tem muito poder quando é falada, escrita ou pensada.

Agência Estado |

Sexo pode significar muitas coisas, mas parece que todos supõem que a palavra sexo tenha um sentido único, um sentido que ‘todos sabem o que quer dizer’. Todos já passaram pela situação em que, pronunciada a palavra sexo, alguém riu, ficou sem graça.

Sexo ganha o sentido que cada um de nós deseja ou é capaz de dar. Até o século 20 começar, ele tinha apenas uma importância na história do mundo ocidental: reprodução. As pessoas deviam gostar de fazer sexo, é claro, mas formar um casal conduzia ao sexo para ter filhos.

Esta motivação continua existindo para muita gente. Muitas vezes é a mulher quem passa as duas primeiras décadas de vida sonhando em ter filhos e, para isso, se casa. O sexo passa a ser um meio para se conseguir um fim.

A percepção do sexo aparece modificada na adolescência. Sempre ouvimos dizer de uma menina com menos de 18 anos que engravidou. Algumas jovens estão cumprindo uma regra que aprenderam desde cedo: quando crescessem teriam filhos - alguém aí se lembra da frase "crescei e multiplicai-vos"?

A menina, para se sentir mulher e provar que já cresceu, engravida. Assim, tem certeza de ser capaz de cumprir com o que sempre ouviu que seria o seu futuro. E nós ainda dizemos que a adolescente está fazendo algo errado... O menino também busca esta paternidade para provar que é realmente homem. Quantas mães solteiras existem apenas para aplacar esta vontade irracional e involuntária?

Na vida adulta muitos casais irão reconhecer outra função do sexo: o desejo se mantém até que a mulher engravide. Quando engravidar do último filho desejado, não mais sentirá desejo de sexo, nem mesmo o prazer que sentia. Não era o sexo pelo prazer, mas para ter um filho.

Ainda na adolescência, mas não só nesta fase, quantas vezes soubemos de mulheres que fazem sexo para não perder o namorado? Sexo para não perder afeto. Quantas fizeram sexo com demonstração de desejo enquanto namoravam e, com o casamento, o desejo foi definhando? O desejo sexual se mostrava para cumprir outra necessidade: formar um casal. Quantas pessoas aceitam fazer sexo com o interesse de obter carinho físico e afeto - e ainda justificam que o romantismo é mais importante para nos diferenciarmos dos animais? A motivação baseada na carência física ou afetiva não se sustenta por muito tempo.

Finalizamos lembrando um uso importante do sexo para os casais: a comunicação de emoções e afeto. Este uso ainda é pouco explorado e vazio de sentido para muitos, mas com certeza será o futuro do sexo na espécie humana - uma forma de comunicação, associando saúde sexual com prazer e bem-estar.

(*) Oswaldo Rodrigues Jr. é psicoterapeuta sexual e diretor do Instituto Paulista de Sexualidades.

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