Para que a crise acabe, OAB propõe a renúncia dos senadores

SÃO PAULO - Em nota, o presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Cezar Britto, apresentou uma proposta para a crise que se alonga no Senado: que os parlamentares deixem seus cargos. O comunicado diz: o ideal seria a renúncia dos senadores. Como não temos [os representantes da OAB] meios legais de impor esse ideal - único meio de sanear a instituição -, resta pleitear que se conceda algum espaço à reforma política, senão para salvar o atual Congresso, ao menos para garantir o futuro.

Redação |

Argumentando a favor deste ponto de vista, a nota da OAB diz que o "Senado não pode ser confundido com os que mancham o seu nome. Precisa ser preservado, pois é o pilar do equilíbrio federativo. Diante, porém, do que assistimos, a sociedade já impôs à presente representação o recall moral".

Agência Senado
Tasso na disputa com Renan

Nesta quinta-feira houve uma discussão acalorada  entre os senadores Tasso Jereissati (PSDB/CE) e Renan Calheiros (PMDB/AL). O bate-boca entre os senadores  foi reprovado pelo PT e pelo PSDB .

O senador do PT, Paulo Paim (RS), repudiou a forma como as divergências partidárias se tornaram discussões de cunho pessoal. Basta, não dá mais. Esse bate boca permanente. Dossiê para um lado, dossiê para o outro. Ataques pessoais. Foge da boa prática recomendada numa Casa tão importante como o Congresso, reclamou o petista.

No início desta semana, os senadores Pedro Simon (PMDB-RS), Fernando Collor (PTB-AL) e Renan Calheiros (PMDB-AL) foram protagonistas de outra discussão no Senado .

Veja a nota da OAB na íntegra:

"O Senado está em estado de calamidade institucional. A quebra de decoro parlamentar, protagonizada pelas lideranças dos principais partidos, com acusações recíprocas de espantosa gravidade e em baixo calão, configura quadro intolerável, que constrange e envergonha a nação. A democracia desmoraliza-se e corre risco.

A crise não se resume ao presidente da casa, embora o ponha em destaque. Mas é de toda a instituição - e envolve acusados e acusadores. Dissemina-se como metástase junto às bancadas, quer na constatação de que os múltiplos delitos, diariamente denunciados pela imprensa, configuram prática habitual de quase todos; quer na presença maciça de senadores sem voto (os suplentes), a exercer representação sem legitimidade; quer na constatação de que não se busca correção ética dos desvios, mas oportunidade política de desforra e de capitalização da indignação pública.

Não pode haver maior paradoxo - intolerável paradoxo - que senadores sem voto integrando o Conselho de Ética, com a missão de julgar colegas. Se a suplência sem votos já é, em si, indecorosa, torna-se absurda quando a ela se atribui a missão de presidir um órgão da responsabilidade do Conselho de Ética.

Em tal contexto, urge fornecer à cidadania instrumentos objetivos e democráticos de intervenção saneadora no processo político. A OAB encaminhou recentemente ao Congresso Nacional, no bojo de proposta de reforma política, sugestão para que o país adote o recall - instrumento de revogação de mandatos, aplicável pela sociedade a quem trair a delegação de que está investido.

Trata-se de instrumento já testado em outras democracias, como a norte-americana, com resultados positivos. O voto pertence ao eleitor, não ao eleito, que é apenas seu delegado. Traindo-o, deve perder a delegação. Não havendo, porém, tal recurso na legislação brasileira, prosperam discursos oportunistas, como o que sugere a extinção do Senado. A OAB é literalmente contra a extinção do Senado.

O Senado não pode ser confundido com os que mancham o seu nome. Precisa ser preservado, pois é o pilar do equilíbrio federativo. Diante, porém, do que assistimos, a sociedade já impôs à presente representação o recall moral. O ideal seria a renúncia dos senadores. Como não temos meios legais de impor esse ideal - único meio de sanear a instituição -, resta pleitear que se conceda algum espaço à reforma política, senão para salvar o atual Congresso, ao menos para garantir o futuro."

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