Para psiquiatra, mudança de sexo reverte sofrimento de transexuais

Os transexuais são pessoas que sofrem tanto até se encontrarem que isso justifica o gasto público que possa ajudar a reverter a situação. A opinião é do psiquiatra Alexandre Saadeh, que há mais de seis anos trabalha com a avaliação de pessoas com essa característica no Hospital das Clínicas (HC) de São Paulo.

Agência Estado |

Pioneiro na avaliação dos problemas psicológicos e psiquiátricos enfrentados por essa população, ele defende a decisão do Ministério da Saúde de incluir no Sistema Único de Saúde (SUS) o procedimento de mudança de sexo. Na semana passada, o governo federal publicou uma portaria no Diário Oficial autorizando hospitais públicos a realizarem a cirurgia. A medida, no entanto, ainda deve levar um tempo para entrar em vigor, pois é preciso normatizar o serviço e decidir quais instituições poderão oferecê-lo.

A expectativa é que ele seja ampliado para todo o Brasil. Hoje, somente alguns hospitais-escola, como o HC, e clínicas particulares realizam a cirurgia, sendo que, nessas últimas, o valor cobrado chega a cerca de R$ 20 mil. "Não se trata de um procedimento cosmético, mas do tratamento para um transtorno, o que justifica o comprometimento do SUS. É o modo de fazer com que essas pessoas se situem melhor na sociedade e tenham, enfim, uma sensação de pertencimento."

Anatomia

O transexualismo é uma condição relativamente rara em que a pessoa, apesar de anatomicamente ser de um gênero, se vê como sendo do sexo oposto e deseja viver e ser aceita desse modo. "É o que chamamos de transtorno de identidade de sexo. Está relacionado com a forma como a pessoa se percebe."

Segundo o psiquiatra, a pessoa "não se reconhece no corpo, no universo relacionado com seu gênero de nascença". "E isso não tem nada a ver, por exemplo, com o homossexualismo, que é uma questão de orientação sexual", diz o psiquiatra. Segundo Saadeh, o transexualismo vem sendo relacionado com a interferência de hormônios sexuais no desenvolvimento cerebral do feto e costuma surgir já na infância. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo .

Giovana Girardi

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