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Para promotor, Isabella foi delicadamente derrubada do prédio

SÃO PAULO - O promotor Francisco Cembranelli, responsável pela investigação da morte de Isabella Nardoni, afirmou nesta quinta-feira que a menina foi delicadamente derrubada do sexto andar do prédio em que mora o pai, Alexandre Nardoni, e a madrasta, Anna Carolina Jatobá. Isso, na opinião de Cembranelli, refuta a versão apresentada pelo casal.

Redação com Agência Estado |

  • Arte:  veja passo a passo o que mostram os laudos sobre a morte
  • Veja vídeo: Antônio e Cristiane negam ter limpado apartamento
  • Em entrevista ao "Fantástico", casal se diz inocente

  • Reprodução
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    Isabella teria sido jogada "cuidadosamente"
    "Se fosse um monstro, como dizem os indiciados, certamente não se preocuparia e arremessaria a menina de qualquer lugar e de qualquer jeito. Ela foi jogada do quarto dos irmãos, cuidadosamente introduzida no buraco da rede de proteção e delicadamente teve as mãos soltas", afirmou.

    Segundo o promotor, por conta do piso de granito, Isabella teria sofrido danos físicos ainda maiores se fosse arremessada da janela de seu quarto. Há um gramado abaixo da janela do quarto dos irmãos.

    Inquérito e reconstituição

    Cembranelli esteve reunido por cerca de três horas na tarde desta quinta com a delegada-assistente do 9º Distrito Policial, Renata Pontes. Segundo o promotor, o encontro serviu para finalizar dados do inquérito policial, que será concluído após a reconstituição da morte da menina, marcada para domingo.

    O promotor voltou a dizer que provas indicam "claramente" que a cena do crime foi adulterada. "Tentou-se maquiar a versão verdadeira. Tentaram remover as manchas de sangue e até conseguiram remover algumas, mas os equipamentos de perícia modernos captaram a alteração", explicou, afirmando que essa remoção quase prejudicou a perícia.

    O promotor afirmou que já vai começar a ler o inquérito policial e examinar os laudos, além de confirmar sua presença na reconstituição da morte de menina.

    Ele afirmou ainda que "não há dúvida" de que o sangue encontrado no carro do casal Alexandre e Anna Carolina era de Isabella. "A conclusão é clara. Só não vê quem não quer", disse.

    Para Cembranelli, o prazo de 30 dias concedido por lei para a investigação policial será respeitado. Ele ainda explicou que já tem uma idéia do motivo do crime, contudo, não deu maiores esclarecimentos. "Isso será dito no momento oportuno", disse.

    Operação especial

    Cem policiais militares e civis , incluindo homens do Grupo de Operações Especiais (GOE), farão no domingo o policiamento no entorno da Rua Santa Leocádia, na Vila Isolina Mazzei, para a reconstituição do assassinato.

    O reforço no policiamento será ainda maior caso o casal indiciado pelo crime confirme participação na reconstituição. "Vamos agir para dar o máximo de condições de trabalho aos policiais", afirma o delegado da 4ª Seccional Norte, César Camargo, que reuniu-se hoje com síndicos e subsíndicos de cinco prédios da rua para acertar detalhes operacionais da reconstituição. Os advogados de defesa do casal ainda não decidiram se Alexandre e Anna Carolina estarão presentes.

    Envolvimento de avô de Isabella

    O advogado Antônio Nardoni, pai de Alexandre, esteve no apartamento onde a neta Isabella foi morta dois dias após o crime , no dia 31 de março. As informações foram reveladas nesta quinta-feira pelo "Jornal Hoje", que teve acesso ao livro de registros do edifício London.

    Depoimentos do avô e da tia

    Na tarde de quarta-feira, Antônio Nardoni, Cristiane Nardoni e dois moradores do edifício onde aconteceu o crime prestaram depoimento no 9°DP.

    Agência Estado
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    Depoimento de avô e tia teve muita confusão

    Segundo fontes da Polícia Civil, que tiveram acesso ao Distrito Policial, Antônio e Cristiane teriam negado que esconderam provas que possam incriminar Alexandre e Anna Carolina, que não retiraram e nem modificaram nada no apartamento do casal após a morte de Isabella.

    A polícia investiga a hipótese de que uma terceira pessoa tenha alterado o local do crime. Ainda segundo as fontes, Antônio e Cristiane teriam ficado em locais separados dentro do distrito policial e não teriam tido contato durante os depoimentos prestados.

    Cristiane, irmã de Alexandre, também teria prestado esclarecimentos sobre um telefonema recebido na noite do crime, 29 de março, quando estava em um bar. Testemunhas contaram à polícia que ela teria dito que o irmão (Alexandre) "teria feito uma besteira". Ela nega ter feito tal comentário.

    O depoimento do pai e da irmã de Alexandre Nardoni causou muita confusão nesta quarta-feira. Os dois saíram de casa e chegaram ao distrito policial sob protestos de pessoas que pediam "justiça". Na saída, após prestarem depoimentos, houve nova confusão. Um homem - identificado pela polícia como João Mendes da Silva, de 65 anos - foi detido depois que bateu com uma bolsa no carro onde estavam Antônio e Cristiane.

    Laudos

    Os advogados que defedem o casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá tiveram acesso aos laudos do Instituto Médico Legal (IML) e do Instituto de Criminalística (IC). Eles foram anexados ao inquérito sobre a morte de Isabella. As informações foram confirmadas pela Secretaria de Segurança Pública.

    Eles chegaram ao 9° Distrito Policial, no Carandiru, por volta das 11h15 e afirmaram que foram ao local para tentar obter "uma cópia dos autos", que ainda não tinham conseguido.

    Na tarde de terça-feira, a polícia adiou a divulgação dos laudos, que seriam apresentados em entrevista coletiva à imprensa. "Achamos mais oportuno que se adiasse a exposição dos detalhes para que houvesse uma análise pormenorizada dos laudos", afirmou o diretor do Departamento de Polícia Judiciária da Capital (Decap), Aldo Galeano.

    O caso

    AE
    Isabella era filha do consultor jurídico Alexandre Alves Nardoni e da bancária Ana Carolina Cunha de Oliveira. A cada 15 dias, ela visitava o pai e a madrasta Anna Carolina Jatobá.

    No sábado, dia 29 de março, a garota foi encontrada morta no jardim do prédio em que o pai mora. A polícia descartou desde o princípio a hipótese de acidente. O delegado titular do 9º Distrito Policial Carandiru, Calixto Calil Filho, declarou que Isabella foi jogada da janela do apartamento por alguém.

    O delegado destacou o fato de a tela de proteção da janela do quarto ter sido cortada e de ninguém ter dado queixa de desaparecimento de pertences no local.

    O pai teria alegado à polícia que um homem invadiu o seu apartamento. Ele e Anna Carolina afirmam ser inocentes e, por meio de cartas e em entrevista ao programa "Fantástico", da TV Globo, disseram esperar que "a justiça seja feita".

    *Com informações da Agência Estado

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