Para procurador, decisão do STF de soltar Dantas foi inconstitucional

SÃO PAULO - O procurador Rodrigo De Grandis, do Ministério Público Federal em São Paulo, criticou, em entrevista coletiva na tarde desta quinta-feira, a decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, em conceder o habeas-corpus a Daniel Dantas e sua irmã, Verônica Dantas, na noite desta quarta-feira. Na minha opinião, a decisão foi ilegal e inconstitucional. Daniel Dantas não tem foro privilegiado, afirmou. De Grandis foi o autor do pedido de prisão preventiva que levou Dantas de volta à prisão menos de 24 horas depois de o banqueiro ter sido beneficiado pela decisão do STF.

Bruno Rico, do Último Segundo |


Para o procurador, a decisão de Gilmar Mendes "ofendeu juízes de instâncias inferiores". Ele afirmou que a prisão de Dantas realizada na tarde desta quinta-feira "baseia-se em fundamentos completamente diversos da prisão anterior".

Segundo ele, a decisão de prender o banqueiro foi pautada na confirmação da denúncia de que Dantas tinha tentado subornar o delegado da Polícia Federal, Victor Hugo Alves Rodrigues Pereira, para excluir seu nome das investigações.

Em nota divulgada na tarde desta quinta-feira, o Ministério Público Federal afirma que o pedido de prisão preventiva de Daniel Dantas e de um advogado ligado ao grupo Oportunitty, que pertence ao empresário, foi elaborado e enviado à Justiça Federal após ouvir o depoimento de Hugo Sérgio Chicaroni, um dos presos na operação. Na casa dele, a Polícia Federal apreendeu mais de R$ 1 milhão que seria usado no suposto suborno de um delegado que participa da operação. ( Leia na íntegra a nota do Ministério Público Federal)

Prisão preventiva

O banqueiro Daniel Dantas, dono do Opportunity, foi preso novamente na tarde desta quinta-feira pela Polícia Federal. Assim como da primeira vez, o pedido foi decretado pelo juiz Fausto Martin De Sanctis, da 6ª Vara Criminal Federal de São Paulo.

A prisão de Dantas ocorreu em um escritório localizado na avenida Nove de Julho, em São Paulo. O banqueiro volta para a prisão menos de 24 horas depois de ter conseguido no Supremo Tribunal Federal (STF) o habeas-corpus. Ele havia deixado a carceragem da Polícia Federal, localizada no bairro da Lapa, zona oeste de São Paulo, por volta das 5h30 desta madrugada.

"A ordem de prisão preventiva foi solicitada pela Polícia Federal em São Paulo em razão de documentos encontrados nas buscas realizadas na última terça-feira e oitiva de uma testemunha que fortaleceram a ligação entre o preso e a prática do crime de corrupção (suborno) contra um policial federal que participava das investigações", informa a polícia, por meio de nota.

A Operação Satiagraha foi deflagrada, na terça-feira, para desbaratar um suposto esquema de desvio de verbas públicas, corrupção e lavagem de dinheiro. A PF iniciou as investigações há quatro anos, como desdobramento do caso do mensalão. Também foram presos na Satiagraha o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta e o investidor Naji Nahas.

A Operação Satiagraha foi deflagrada, na terça-feira, para desbaratar um suposto esquema de desvio de verbas públicas, corrupção e lavagem de dinheiro. A PF iniciou as investigações há quatro anos, como desdobramento do caso do mensalão. Também foram presos na Satiagraha o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta e o investidor Naji Nahas.


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