Para parentes, relatório da Aeronáutica reforça culpa de pilotos americanos

BRASÍLIA - A Associação de Familiares de Vítimas do acidente do voo 1907 deverá recorrer da decisão do juiz federal de Sinop (MT) Murilo Mendes, que absolveu os pilotos americanos Joe Lepore e Jan Paladin da acusação de negligência na adoção de procedimentos de emergência na comunicação com o Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle do Tráfego Aéreo (Cindacta). A informação é da presidente da associação, Angelita De Marchi.

Carol Pires, Último Segundo/Santafé Idéias |


Acordo Ortográfico Lepore e Paladin eram os pilotos do jato Legacy, que se chocou em pleno vôo com um Boeing da Gol, no dia 29 de setembro de 2006.

Na avaliação de Angelita, viúva de Plínio Luiz Siqueira Júnior, morto no acidente, o relatório final sobre as causas da colisão entre as aeronaves, divulgado nesta quarta-feira pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), apresenta embasamento para pedir abertura de processo criminal por ato doloso, e não culposo, como corre na Justiça brasileira.

Segundo Angelita, o parecer da Aeronáutica reforça a culpa dos pilotos, que viajavam com o transponder (aparelho que alerta para o perigo de colisão) desligado no momento do choque com o Boeing da Gol.

Mais cedo, familiares e amigos tiveram acesso ao relatório final do Cenipa. Após a reunião com o brigadeiro Jorge Kersul Filho, chefe do Cenipa, mães e esposas de vítimas do acidente saíram carregando faixas com os dizeres: Queremos justiça. Indiciamento dos pilotos por crime doloso.

O relatório foi muito importante porque nos confirmou diversas suspeitas. Na nossa visão eles têm muita culpa porque se o transponder estivesse ligado isso teria sido evitado. Houve uma serie de falhas? Houve. Só que o transponder é obrigatório, uso era obrigatório, era responsabilidade dos pilotos se certificarem disso e eles não o fizeram, disse Agelita De Marchi.

O acidente

O Boeing da Gol que fazia o vôo 1907 havia saído do aeroporto de Manaus (AM) e faria uma escala em Brasília antes de seguir para a cidade do Rio de Janeiro. Ainda sobrevoando o norte do País, o avião brasileiro se chocou com o jato Legacy, da empresa de táxi aéreo americana ExcelAire. Os 154 ocupantes do Boeing morreram, mas nenhum ocupante do jato se feriu.

Na tarde desta quarta-feira, o  Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) apresenta, em Brasília, o relatório com as conclusões sobre o acidente. A investigação não aponta, porém, culpados pelo desastre, e sim fatores que contribuíram para a ocorrência do acidente.

Não esquecemos jamais. Quem é pai, quem é mãe, quem é filho, quem é amigo, ainda tem o coração destroçado por essa tragédia, diz Sauma Assad, tia de Átila Assad, ex-estudante de Medicina, morto no acidente aos 24 anos.

"Isso não foi acidente. Foi negligência, foi assassinato, acusa Neusa Machado, mão de Valdomiro Machado, também uma das vítimas do acidente com o voo 1907.

Leia mais sobre: acidente do voo 1907

    Leia tudo sobre: acidente da gol

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG