Para orientar famílias, escritora lança livro infantil sobre Alzheimer

A perplexidade da família diante de um parente com Alzheimer torna-se ainda mais inquietante nas crianças. Muitas vezes, ninguém explica a elas o que está acontecendo.

Agência Estado |

Pensando nisso, a autora de obras didáticas Renata Paiva escreveu um livro infantil intitulado A vovó virou bebê . Com ajuda da Associação Brasileira de Alzheimer (Abraz), Renata descreveu o itinerário da doença em uma linguagem acessível para as crianças.

A ideia é que muita coisa pode ser feita para melhorar a vida de uma pessoa com a doença e que todos na família - também as crianças - podem ajudar. “Enquanto não há tratamentos farmacológicos efetivos, podemos investir nos neurônios não afetados pela doença.” O gerontologista Jader Andrade, do Centro de Vivência Hiléa, em São Paulo, define assim as abordagens alternativas para promover o bem-estar de quem tem a doença.

No Hiléa, exercícios físicos e cognitivos, além de atividades artísticas e musicais, integram o dia a dia dos idosos. Há até mesmo uma praça decorada como um centro urbano antigo, com barbearia, mercearia, cinema, loja de tecidos e livraria. Não se pretende que os idosos voltem no tempo: os relógios da praça marcam ostensivamente a data atual. “Cria-se uma situação confortável pelo reconhecimento de objetos e lugares conhecidos”, explica Andrade.

Wagner Gattaz, do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo (USP), formula uma hipótese para o sucesso da abordagem não farmacológica: “Exercícios cognitivos aumentam a concentração da enzima fosfolipase A2, que exerce um papel neuroprotetor.” A importância também se volta para o cuidador, que deve promover a autonomia do paciente, segundo o sociólogo americano John Zeisel. “A tendência da família é fazer tudo”, afirma Zeisel. “Devemos manter a maior independência possível.”

Alexandre Gonçalves

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