Para o dinheiro não virar vendaval no futuro Por Carolina Dall’olio São Paulo, 30 (AE) - Arthur Gesteira Telles, de 10 anos, decidiu por conta própria poupar um terço da mesada. Já guardou R$ 200.

Gabriel Dourado Ribeiro, de 11 anos, adquiriu o hábito de comparar preços antes de comprar - não quer gastar mais do que precisa. Já Gabriel Castro, de 12 anos, admite ser um tanto consumista, mas como aprendeu que as coisas não caem do céu, tenta maneirar. "Não fico pedindo as coisas toda hora para o meu pai, e não é porque estou com dinheiro na mão que vou torrar tudo."

Além de estudarem no mesmo colégio no bairro do Morumbi, na zona sul de São Paulo, os três meninos têm outra coisa em comum: foram ensinados desde pequenos, pelos pais e pela escola, a lidar com o dinheiro. A aprendizagem se traduz em um senso de responsabilidade financeira, muitas vezes difícil de se encontrar até entre os adultos. "Como tudo começou cedo, a relação com o dinheiro já se tornou natural, como ler e escrever", conta Maria Isabel Telles, avó de Arthur, que ajuda a criá-lo.

"Ele nem percebe que está sendo tão responsável, só reproduz os conceitos que já interiorizou."
Para Álvaro Modernell, educador financeiro especializado em passar esse conceito a crianças, trata-se do caminho certo. "A educação financeira das crianças deve começar o quanto antes e ser natural, gradual e despretensiosa", sugere. Modernell ressalta a importância dos pais terem consciência de que esse tipo de educação não serve para ensinar as crianças a ficarem ricas. "O importante é ensinar ética no trato com o dinheiro, isso é o principal."

Modernell ressalta que é tão ruim uma criança tornar-se um adulto mesquinho e pão-duro quanto um esbanjador e irresponsável financeiramente. "É preciso buscar sempre o equilíbrio. Poupança e o consumo responsável devem ser trabalhados e incentivados igualmente", diz. "É fundamental que ele aprenda que o dinheiro é necessário, mas que também não é a coisa mais importante da vida."

TAL PAI, TAL FILHO
Mas não adianta os pais se valerem de uma boa didática se ela não vier acompanhada do exemplo. "Quem é descontrolado financeiramente nunca vai conseguir fazer com que o filho seja responsável, porque o mau exemplo vai ser mais poderoso do que o que o pai disser", alerta Patrícia Quadros, gerente de popularização da BMF&Bovespa. "Quem está com as contas no vermelho precisa se corrigir logo - para o seu próprio bem e para ensinar o filho que é preciso viver dentro do padrão que a nossa renda nos oferece."

Amauri Pedroso, professor do colégio Guilherme Dumont Villares, na zona sul da cidade - por lá, os alunos têm aulas de educação financeira e empreendedorismo a partir dos 7 anos -, reforça a importância da participação na aprendizagem. "O aluno pode vivenciar experiências que o ajudem a compreender o valor do dinheiro e o ensinem a ter uma postura empreendedora. Mas se os pais não ensinarem a eles a importância da ética e da responsabilidade, fica difícil que eles adotem um comportamento coerente."

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