BRASÍLIA - Um dia após o arquivamento da última denúncia contra o deputado federal Antonio Palocci Junior, o ministro do Supremo Tribunal Federal Marco Aurélio Mello ainda lamenta o resultado e destaca: ¿em 100% de casos em que se discute o recebimento de denúncias, o STF recebe 99%¿.

Eu continuo convencido que dei meu voto de que se deveria abrir o embrulho para ver o que tem dentro. Ele [Palocci] tinha interesse. Ali no contexto, ele seria o beneficiado, desqualificando o caseiro, alegou.

No julgamento desta quinta-feira, Marco Aurélio, a ministra Cármen Lúcia Rocha e os ministros Carlos Ayres Britto e Celso de Mello foram votos vencidos para aceitar a denúncia contra o ex-ministro da Fazenda. Eles apoiaram também a denúncia contra o ex-presidente da Caixa Econômica Federal Jorge Mattoso e o ex-assessor de imprensa do Ministério da Fazenda Marcelo Netto. A ação do Ministério Público pedia a denúncia de participação dos três por quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa, e a divulgação dos dados à imprensa, em 2006.

Palocci se livrou do último dos 21 processos que respondia no Supremo e está com a ficha limpa para disputar as eleições de 2010 ou voltar a galgar cargos de primeiro escalão no governo.

AE
Vista do plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quinta-feira
Vista do plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quinta-feira
O jornalista Marcelo Netto foi também absolvido. Mesmo com o empate de quatro a quatro, o colegiado optou em favor dele.  Já Mattoso foi denunciado por oito dos nove ministros que votaram.

Em relação ao único denunciado, o ministro não teve meias palavras: ele [Mattoso] fez o que fez não por iniciativa própria. Ele saiu nervoso de lá, como disse o motorista dele no depoimento. O que estava em jogo era o cargo dele e ele acabou vendendo a alma ao diabo.

Na avaliação do ministro, o jornalista teria contribuído com a prática. E no discurso de ontem, ressaltou que havia indícios suficientes para o recebimento da denúncia na íntegra, quando apresentou alguns detalhes como ligações, horários e relatos de encontros entre os envolvidos.

Questionado sobre a presença na sessão do ex-funcionário da mansão em Brasília, vítima da quebra de sigilo bancário, Francenildo Costa, o ministro elogiou. Só compreendo a presença dele pela curiosidade. Ele se mostrou respeitoso com a decisão do colegiado. No lugar dele, eu faria o mesmo [sair sem falar com a imprensa, após o resultado]. Por vezes, o silêncio é mais eloqüente, destaca.

Diferentemente de outras autoridades, Marco Aurélio não teme em expor sua avaliação pessoal sobre o assunto, mesmo respeitando a decisão do colegiado: Não há órgão acima do STF. O meu compromisso é com a minha toga, define.

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