Para Metrô, Via Amarela é responsável pelas obras

A Companhia do Metrô alega que a definição da profundidade da obra é de responsabilidade do construtor, e não houve proposta de rebaixamento da cota no trecho da Estação Pinheiros da Linha 4-Amarela, mas sim uma mudança para que pudesse ser utilizado o shield, máquina chamada de tatuzão, que escava automaticamente o túnel. De acordo com o diretor de Engenharia da empresa, Luiz Carlos Grillo, o Consórcio Via Amarela tinha o poder de sugerir a mudança antes do início da obra, mas não o fez.

Agência Estado |

"O Consórcio Via Amarela acatou a decisão do Metrô de manter a cota onde foi construído. Tinham o poder de modificar a cota, sabendo que o nível não era adequado. Isso foi verificado depois que eles fizeram várias sondagens. Mas não foi proposto nada e aceitaram realizar o projeto como estava", afirmou Grillo.

"O Metrô acreditou que estava tudo correto. Não tinha o que discutir", justificou. Para o governo estadual, "não é a cota que determina ocorrência ou não de acidentes", e os dois relatórios apontados pelo Estado tinham como objetivo não usar mais o shield. "O desenho da Themag foi feito mudando o rebaixamento da via para operação do shield. A geologia nunca determina o greide. Tem uma série de outros fatores, como o uso de escadas rolantes na operação." Os dois fatores que levaram o projeto a manter a cota atual em que a Estação Pinheiros foi escavada são, segundo Grillo, o melhor para a execução da obra e para a operação posterior. "Isso foi definido estrategicamente."

O diretor do Consórcio Via Amarela, Marcio Pellegrini, afirma que o projeto, como foi constituído, é realizável e admite que maior profundidade traria mais segurança à obra. "Não há qualquer dúvida de que o projeto licitado se trata de um projeto exeqüível. Todavia, é certo que um túnel em profundidade maior, com condições geológicas melhores, em centros urbanos densamente ocupados, além de gerar menos desconforto na superfície, como trincas, rachaduras e recalques, em caso de eventos imprevistos pode até nem causar reflexos na superfície."

Técnicos explicam que, em termos genéricos, a qualidade da rocha tende a ser mais pobre na medida em que se aproxima da superfície, onde, usualmente, se encontra o solo seguido pela rocha não deformada, mas completamente alterada, denominada de saprolito. Abaixo dessa camada, encontra-se a rocha alterada.

"Como a resistência dos materiais aumenta com a profundidade e a necessidade por suporte no túnel reduz-se em função disso, de uma maneira lógica, e para qualquer metrô, se os túneis e as estações fossem executados em profundidades maiores, incluindo-se a Linha 4, os problemas seriam reduzidos", explica o engenheiro Nick Barton.

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