Pesquisa da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) constatou que as crianças e adolescentes têm mais dificuldade que os adultos para receber tratamento de transtornos psiquiátricos. Enquanto 91,82% dos adultos já se trataram no SUS, nos convênios ou em hospitais particulares, o porcentual entre os mais novos é de 71,1%.

“É indicativo que o atendimento para as crianças não recebe atenção necessária no País”, diz a psiquiatra Tatiana Moya.

O vice presidente da ABP, Luiz Alberto Ethem, aponta alguns outros fatores, como a falta de psiquiatras especializados nessa faixa etária e a falta de estrutura da rede pública. “Além disso, a criança, por mais que esteja sofrendo, não procura o serviço sozinha, ela precisa ser levada. Essa é ainda uma dificuldade a mais em relação aos adultos que buscam ajuda.”

De acordo com o Luiz Ethem, embora os adultos tenham acesso a algum tipo de atendimento, a qualidade desses serviços é “deficitária ou ruim”. Como estratégia da política nacional de saúde mental, existem os Centro de Atendimento Psicossocial (Caps). “Não somos contra os Caps, mas não são indicados para todos os pacientes”, diz Ethem.

Na avaliação Ethem, os centros são apropriados para quadros psicóticos. Entretanto, transtornos de ansiedade e depressão necessitam de outros serviços. Outras necessidades apontadas por ele para a saúde mental são: criação de ambulatórios especializados, leitos psiquiátricos em hospitais gerais e enfermarias de curta permanência.

Centros

O Ministério da Saúde informou que há no País 95 Centros de Atenção Psicossocial Infanto-Juvenil (Capsi) e que outros 602 destinados aos adultos também atendem crianças e adolescentes. A rede assistencial se completa com outros 183 Centros de Atenção Psicossocial Álcool e outras drogas (Caps ad). Na avaliação do ministério, o Brasil é um dos poucos países do mundo que tem política mental para a infância e a adolescência e esse esforço é reconhecido pela ONU.

AE

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.