Para Lula, Estado não perdeu o controle da Abin

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva avaliou hoje (17) que o Estado não perdeu o controle da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e da Polícia Federal. Em entrevista à TV Brasil, ele disse ver com naturalidade a prisão do número dois na hierarquia da PF, Romero Menezes, acusado de tráfico de influência, e as investigações de escutas telefônicas supostamente praticadas por agentes da Abin.

Agência Estado |

"Nós agora não temos que ficar mais nervosos ou menos nervosos", disse. "Temos apenas que apurar e vai ser apurado."

Ao contrário do que vem dizendo nos bastidores, Lula afirmou que não decidiu pelo afastamento definitivo do diretor da Abin, Paulo Lacerda. "É lógico que desminto (a informação)", disse. "Como é que alguém supõe que eu tomei (a decisão) se não tomei?", completou. "É importante dizer: Paulo Lacerda é uma pessoa que eu respeito como profissional como poucos neste país. Agora todo mundo pode cometer erros também."

Lula disse não ver problema quando um cidadão, no caso o delegado Romero Menezes, ser preso para esclarecer denúncia do Ministério Público. "É preciso cumprir a ordem judicial", ressaltou. Na entrevista, o presidente aproveitou para fazer elogios a Paulo Lacerda. "Eu te confesso que tenho o Paulo Lacerda como um homem extraordinário que o Estado brasileiro produziu", afirmou.

"Agora tinha uma denúncia, de que a Abin fez escuta. Ora, a melhor forma para que a gente possa apurar inclusive deixar o Paulo Lacerda muito mais a vontade foi afastá-lo de lá." A situação de Lacerda piorou depois da divulgação de que 52 agentes da Abin participaram da Operação Satiagraha da PF.

COMPANHEIROS - O presidente deixou claro que mantém a amizade com os ex-ministros Antonio Palocci e José Dirceu, demitidos do governo após escândalos políticos. Quando um dos entrevistados perguntou sobre os seus "antigos companheiros do PT", o presidente reagiu: "Antigos não, companheiros. O fato deles não estarem no governo, não mexe na minha relação de amizade". "Aliás é uma coisa que prezo, que eu carrego para o fim da vida, porque ninguém me obrigou a ter amizade. Amizade é uma coisa que a gente escolhe."

Lula ressaltou que a saída dos dois do governo mostrou para sociedade que ninguém é imprescindível ou insubstituível. "As pessoas que estão no lugar deles, estão dando uma demonstração extraordinária e os dois companheiros estão reconstruindo suas vidas. É assim que tem que ser a vida, não tem outro jeito."

    Leia tudo sobre: grampo

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG