Para Lula, encontro do G20 altera ordem internacional

BRASÍLIA (Reuters) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou na segunda-feira que a reunião do G20 realizada no fim de semana em Washington alterou a lógica do sistema internacional. O presidente brasileiro, que classificou o encontro como a reunião internacional mais importante que participou desde que tomou posse, em 2003, ressaltou que o evento é um marco histórico por ser a primeira vez que líderes dos países que representam 85 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) mundial se reuniram para debater uma crise financeira global. Por isso, segundo Lula, o G20 substituiu o G8 como o grupo de países mais relevantes do mundo.

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"A reunião é importante porque muda a lógica das decisões políticas", declarou Lula em seu programa semanal de rádio, "Café com o Presidente."

"Ou seja: já não é mais o G8. Agora, o G20 ganha um papel de destaque. Isso foi unânime na boca de todos os líderes", acrescentou.

Para Lula, o encontro fortaleceu o multilateralismo. "Finalmente, todos os países se colocaram de acordo de que nós precisamos tomar decisões coletivas para evitar que uma tomada de posição de um país possa prejudicar outro país."

O presidente contou que as decisões anunciadas após o encontro têm como objetivo aumentar a liquidez e restabelecer a confiança no mercado financeiro internacional, além de impedir que a recessão, que já é vista em alguns países desenvolvidos, contamine a economia de países emergentes.

"Não queremos que o desemprego chegue na América Latina e chegue no Brasil, sobretudo porque a nossa economia está muito mais arrumada do que a economia deles", destacou.

Ao reafirmar que os investidores agiram como apostadores em cassinos, Lula citou a menção feita pelo G20 sobre a necessidade de se regular o mercado. Para o presidente, o sistema financeiro deve servir para financiar a produção.

"Não podemos permitir que o sistema financeiro possa continuar tratando a economia deslocado da economia real e do mundo do trabalho."

Outro ponto destacado pelo presidente foi o compromisso assumido pelos participantes da reunião de fechar até o fim do ano um acordo na Rodada Doha para a liberalização comercial, que atualmente se encontra em um impasse. "O acordo é um sinal muito importante para todo o mundo saber que os dirigentes políticos estão agindo com responsabilidade, estão preocupados e tomando as decisões", sublinhou.

(Por Fernando Exman)

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