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Para imprensa italiana, extradição de Battisti marca fim de uma época

A extradição de Cesare Battisti para a Itália, aprovada na quarta-feira pelo Supremo Tribunal Federal brasileiro, marca o fim de uma época do terrorismo, afirma nesta quinta-feira a imprensa italiana, que parabeniza a decisão tomada, http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2009/11/18/lula+e+quem+decidira+se+cesare+battisti+sera+extraditado+9125886.htmlembora o veredicto final esteja nas mãos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

AFP |

"Passaram-se 40 anos desde uma época (os famosos anos de chumbo, durante os quais o terrorismo de esquerda e de direita ensaguentou o país) e a Itália precisa virar a página de uma vez por todas", afirma o La Stampa (centro).

O jornal destaca que há exatamente 40 anos um policial foi morto por manifestantes de extrema esquerda em Milão.

"A extraordinária extradição de Battisti pode ser, pelo menos assim se espera, uma etapa importante para pôr um fim definitivo ao terrorismo de extrema esquerda", prossegue o jornal, classificando a decisão brasileira de "epílogo".

Em um editorial com o título "A ofensa reparada", Il Messaggero (centro) afirma que "não havia apenas o destino de Cesare Battisti na decisão do tribunal brasileiro, mas principalmente a necessidade de lavar uma grande ofensa".

Para o jornal, as declarações do ministro brasileiro da Justiça, Tarso Genro, que evocou os riscos de Battisti voltar à Itália, representam "um insulto duplamente grave, pois se referia tanto ao nosso sistema judicial como a nossa democracia".

Divulgação
Ministro Gilmar Mendes votou pela extradição de Battisti para a Itália

Para Il Fatto (esquerda), "parece que sua liberdade só preocupa aos brasileiros, enquanto que na Itália há um coro unânime contra ele e seu passado de combatente armado".

A única nota discordante, do Manifesto (extrema-esquerda), destaca que o presidente da Corte, é "conhecido por suas posições conservadoras" e classifica a decisão da Corte de "política".

Na véspera, o ministro das Relações Exteriores da Itália, Franco Frattini, manifestou a "grande satisfação" do país com a decisão favorável do Supremo brasileiro de extraditar Battisti.

"Meu primeiro pensamento se dirige às famílias das vítimas de Battisti, que veem, enfim, reconhecido seu direito legítimo de obter justiça", declarou o ministro em comunicado.

"Espero que pague por seus crimes", declarou à imprensa o italiano Adriano Sabbadin, filho do açougueiro Lino, assassinado em 1979 por militantes da organização Proletários Armados para o Comunismo (PAC), o grupo que Battisti liderava.

A sentença favorável do tribunal brasileiro foi aplaudida pelo parlamento italiano.

A rápida reação da Itália foi interpretada como uma forma a mais de pressão ao presidente Lula, que se reuniu segunda-feira, em Roma, com o chefe do Governo italiano, Silvio Berlusconi, depois de participar da cúpula sobre a fome da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO).

Ao final do encontro, Lula deu a entender, segundo a imprensa italiana, preferir que a decisão definitiva fosse tomada pela justiça, sem que ele, presidente, precisasse intervir.

O ex-militante de extrema esquerda refugiou-se nos anos 80 na França e fugiu para o Brasil em agosto de 2004 para escapar justamente de uma extradição para a Itália. Detido em 2007 no Rio de Janeiro, está preso em Brasília.

A Itália exige a extradição de Battisti, condenado à prisão perpétua à revelia por quatro mortes cometidas nos anos 70. O Brasil havia concedido a ele, em janeiro, o estatuto de refugiado político, provocando um clima de forte tensão diplomática com Roma.

Battisti, 54 anos, nega as mortes pelas quais é acusado e iniciou na sexta-feira passada uma greve de fome em sua cela, em Brasília, afirmando que "não voltará vivo à Itália".

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