Para Greenpeace, é difícil reduzir devastação este ano

Fechar o ano com redução no desmatamento da floresta amazônica é tarefa quase impossível, afirmou hoje o coordenador da Campanha Amazônia, do Greenpeace, Paulo Adario. Não temos mais como reverter o processo, afirmou, à Agência Estado .

Agência Estado |

"Se o desmatamento parasse agora, talvez, ainda houvesse chance de o índice cair no ano, mas nada indica essa reversão." Dados de maio do Sistema de Detecção do Desmatamento em Tempo Real (Deter), divulgados hoje pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), de São José dos Campos, no Vale do Paraíba, mostram que 1.096 quilômetros quadrados de floresta tiveram corte raso (derrubada) ou degradação (queimadas, por exemplo) no mês, uma área equivalente à cidade do Rio.

O dado representa uma diminuição de 2,4% (ou 27 km²) em relação a abril (1.123 km²). Em maio de 2007, foram derrubados ou devastados 1.222 km² de Amazônia. No mesmo período de 2006, 5.017 km². Adario atribui o aumento do desmatamento à alta global nos preços das commodities - produtos primários padronizados e negociados internacionalmente. Quanto mais valorizados ficam produtos como soja e carne (que são commodities), mais se expande a área de produção rumo à floresta, afirmou acreditar. Para ele, o governo não deu a devida atenção aos alertas dos últimos dados do Deter. "Não é surpresa que o desmatamento volte a crescer. O governo não criou proteção suficiente para a floresta e a fronteira agrícola brasileira se expande cada vez mais rumo à Amazônia."

O pesquisador Arnaldo Carneiro Filho, do Instituto Socioambiental (ISA), também relacionou o aumento do desmatamento com a alta nos preços das commodities, porém disse acreditar que o mercado pode colaborar para reverter a devastação. "Existe uma pressão crescente do mercado e da sociedade civil por produtos de origem correta, sem exploração da floresta." Carneiro Filho citou um acordo firmado entre a administração federal e produtores de soja para que não exportem produtos originados de devastação da mata. O Ministério do Meio Ambiente (MMA) pretende estender o acordo às cadeias produtivas de carne e madeira. "Essa é uma das boas medidas para consertar a situação."

Ele disse crer que o controle das cadeias pode ajudar a reverter o desmatamento, pois 75% das áreas desmatadas são de pecuaristas. "Se o governo conseguir otimizar o uso dessas terras, vai diminuir a pressão sobre as florestas primárias da Amazônia." Para Carneiro Filho, "ainda é cedo" para dizer se os dados do Deter indicam melhora ou piora no quadro de desmatamento. "Estamos numa rota ligeiramente descendente", declarou, sem arriscar um palpite de como ficará o índice ao fim do ano. "Mas uma coisa é certa, esse (dado de maio) não é um número para se orgulhar."

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