Para general Félix, é difícil comprovar grampo na Abin

BRASÍLIA (Reuters) - O chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, general Jorge Armando Félix, afirmou nesta terça-feira que é tecnicamente difícil comprovar a participação de integrantes da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) em vazamento de informações. A Abin será investigada pela Polícia Federal e pelo Ministério Público, além de promover sindicância interna, sobre a acusação de escuta telefônica ilegal.

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Embora tenha demonstrado interesse de levar até o fim as investigações sobre grampos contra autoridades dos três poderes, o ministro disse que o histórico da agência revela essa dificuldade de comprovação.

'Há precedentes de (suspeita de) vazamento de informação e uma dificuldade muito grande de se comprovar que isso aconteceu. É uma situação difícil porque gera um clima de desconfiança, é um dilema que nós vivemos', afirmou o chefe do Gabinete de Segurança em depoimento à CPI das Escutas Telefônicas Clandestinas, da Câmara, conhecida como CPI do Grampo.

Segundo o general Félix, desde 2003 há quatro ou cinco sindicâncias internas para provar vazamentos, mas nunca se conseguiu comprovação. O ministro disse que um grupo de servidores já foi condenado no governo de Fernando Henrique Cardoso, mas recorreu à Justiça e continua na Abin até o fim do processo, com acesso limitado a informações.

O ministro defendeu a Abin como instituição, mas admitiu que um de seus integrantes possa ter cometido alguma irregularidade.

'Servidores da Abin são seres humanos. Pode ser alguém da agência? Grau de probabilidade baixa para mim porque os chefes têm controle', disse Félix, destacando que as pessoas se conhecem há muito tempo e que dificilmente alguém rompe a confiança.

IMAGEM NEGATIVA

A direção da Abin foi afastada temporariamente pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na segunda-feira, depois de reportagem da revista Veja acusar o órgão de interceptar ligações telefônicas de integrantes do Executivo, do Legislativo e do Judiciário.

Uma das chamadas foi feita entre o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, e o senador Demóstenes Torres (DEM-GO). O afastamento será mantido até a conclusão das investigações que apuram a origem do grampo.

O ministro ressaltou que a Abin não tem aparelhos de interceptação telefônica e sim de varredura para descobrir possível espionagem.

'A Abin já foi acusada antes. Nada foi comprovado, mas a imagem negativa ficou', declarou o ministro.

Félix elogiou o diretor-geral da Abin, Paulo Lacerda, que foi afastado. Para o chefe do Gabinete de Segurança Institucional, o subordinado possui um 'belo' currículo. 'A folha de serviços dele é impressionante no que diz respeito a um servidor público', comentou.

O general afirmou que é preciso aguardar a conclusão das investigações sobre o caso e ponderou que há muitas perguntas a serem respondidas. Ele ressaltou que não está claro se a ligação entre Mendes e Torres foi grampeada no STF, no Senado ou em outro local. Argumentou ainda que não se sabe quem a interceptou, a mando de quem e com que objetivo.

Félix afirmou que a Abin só age dentro dos limites da legislação brasileira, mas reconheceu que as autoridades que ficaram indignadas pela notícia estão 'com toda a razão.' (Reportagem de Fernando Exman)

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