Para Garibaldi, pesquisa não deve estimular 3º mandato

O presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), disse esperar que a repercussão da pesquisa CNT/Sensus indicando que 50,4% dos entrevistados desejam um terceiro mandato para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não seja vulcânica, a ponto de induzir parlamentares a levarem a idéia adiante. Ele reiterou sua posição contrária à adoção de mais um mandato para o presidente ou para quem quer que seja, por entender que a medida contraria as regras em vigor.

Agência Estado |

Garibaldi disse que não ficou "impressionado" pelo resultado, apesar de conhecer o "poder" das pesquisas.

"Tem pesquisas para todos os gostos, mas eu não me deixo impressionar, acho que uma questão como esta não pode ser resolvida por pesquisa", afirmou. Categórico, disse que a decisão sobre mandatos é exclusiva do Congresso e que em hipótese nenhuma pode ser abordada de forma superficial. "Não é nada que possa ser resolvido de maneira simplista", argumentou. "Temos de ter governantes que em vez de dizer que ficam, como fez Dom Pedro, digam: 'eu vou para casa, combati o bom combate e na próxima eleição, se for o caso, eu volto'", defendeu.

Garibaldi atribuiu o resultado da pesquisa ao "momento excepcional" do governo Lula. Daí porque entende que não há justificativa para alterar a Constituição em função dos dados obtidos. Caso contrário, seria necessário fazer o mesmo, e modificar novamente a Carta, no caso dessa avaliação mudar. "Não se pode mudar a Constituição assim", alegou. "A Constituição está aí não para ser mudada, mas para ser aperfeiçoada, por mais respeito que se tenha à opinião coletada pelas pesquisas".

O presidente do Senado afirmou que tampouco concorda com a realização de um plebiscito sobre o mandato presidencial. Alegou que tal iniciativa poderia resultar em governos sem prazo de conclusão, abrindo espaço "para o terceiro, o quarto e o quinto mandato, e não é assim que funciona uma democracia". Sobre eventuais candidatos à sucessão do presidente Lula, reconheceu que, hoje, não há ninguém no seu partido, o PMDB, com chances de se candidatar ao cargo. "Acho que o PMDB, hoje, nos seus quadros, não tem candidato forte à Presidência da República".

Ele evitou comentar o desempenho e as chances da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, como candidata ao cargo. Tampouco quis avaliar como se sairiam os governadores do partido, como Sérgio Cabral (RJ), alegando que "uma coisa é ser governador, a outra é ser candidato à Presidência". Quanto aos nomes da base de apoio ao governo, desconversou e, ironizando, disse que "só fazendo uma pesquisa" para checar quais são os nomes com mais chance de disputar uma eleição presidencial.

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