Para frear consumo de drogas é preciso investir na educação, diz chefe do Senad

BRASÍLIA - O consumo de drogas no País aumentou e vai manter a tendência de crescimento. Essa é a avaliação de especialistas e autoridades sobre o relatório mundial sobre drogas divulgado nesta quinta-feira (26) pela Organização das Nações Unidas (ONU).

Regina Bandeira - Último Segundo/Santafé Idéias |


Para o chefe da Secretaria Nacional Antidrogas (Senad), general Paulo Uchôa, para se reduzir o consumo de drogas no País é preciso estabelecer políticas eficientes de prevenção e repressão. Segundo ele, a execução de projetos voltados para esse fim cabe aos ministérios, mas ainda não têm sido feito.

Para frear essa tendência, é preciso investir na educação, na informação, em ações articuladas. Nosso órgão foi criado para isso, mas precisa de recursos. A nossa pasta não os têm. Até hoje nosso orçamento não recebe nada do Tesouro, reclama o general Paulo Uchoa.

De acordo com o relatório do Escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crime (UNODC), o consumo de usuários de cocaína no Brasil cresceu de 0,4% da população, em 2001, para 0,7%, em 2005, o que equivale a 870 mil pessoas entre 15 e 64 anos. No mesmo período, o consumo de maconha ¿ droga mais usada no País mais que dobrou, passando de 1% para 2,6% da população.

Além da prevenção, a repressão também se ressente da escassez de recursos. A Polícia Federal alega conviver com a falta de recursos humanos para fiscalizar os 14 mil quilômetros de fronteiras brasileiras. O Brasil faz fronteira com os três maiores produtores de cocaína do mundo ¿ Colômbia, Peru e Bolívia ¿ e também faz divisa com o maior produtor de maconha, Paraguai.

Falta gente para ocupar tanto espaço, para fiscalizar e combater o tráfico de drogas. Essa é a nossa maior dificuldade, declarou o coordenador-geral de repressão à droga da Polícia Federal, delegado Paulo Tarso, reforçando a deficiência do País na área da repressão, parte fundamental na redução do consumo de drogas.

No ano passado, segundo dados da PF, 17 toneladas de cocaína foram apreendidas, contra 14 toneladas em 2006. Em 2008, a previsão da PF é que sejam apreendidas mais de 19 toneladas da droga. E na avaliação do delegado, a tendência é que esse número cresça. É o que temos visto, disse.

Comparações

Apesar do incremento do consumo interno, o Brasil (2,6%) está abaixo da média de consumo da América do Sul, que é de 3,4%. Nos EUA, a maconha é consumida por 10,5% da população. O Brasil (o,7%) também fica abaixo da média de consumo de outros países em relação à cocaína. Nos EUA, 2,4% da população consome a droga; na Europa, 1,2%; na América do Sul, 1%.

Na avaliação do representante do Escritório da ONU contra Drogas e Crime  no Brasil, Giovanni Quaglia, mesmo estando abaixo da média de consumo de outros países, a situação do Brasil merece cuidado pois os dados revelam que o consumo de drogas no País tende a crescer. E comparou a situação do País com a Argentina. Há dois anos, ela estava no mesmo ponto do Brasil, hoje, o índice subiu para 2,6%, alertou.

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