O diretório estadual do PSDB de São Paulo esvaziou sua própria reunião política, nesta segunda-feira, para evitar a saia justa de colocar o governador José Serra sob a pressão de anunciar mais rapidamente sua candidatura à Presidência da República.

Inicialmente configurado como um encontro para reunir os 42 deputados tucanos de São Paulo (18 federais e 24 estaduais), 47 coordenadores estaduais e membros da executiva estadual do partido a fim de discutir o cenário eleitoral e ações da legenda no Estado, a reunião acabou agrupando os representantes das sete principais regiões metropolitanas do Estado. Os demais representantes do partido farão encontros desmembrados em outras datas, ainda a serem marcadas.

AE
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O deputado e presidente estadual do PSDB, Antonio Carlos Mendes Thame, preside a reunião para discutir as estratégias e o planejamento do partido.

Coube ao presidente do PSDB estadual, deputado Antonio Carlos de Mendes Thame, a missão de, segundo o próprio, diminuir a ansiedade, uma das palavras por ele mais empregada durante cerca de 30 minutos de explicações dadas antes da reunião.

Thame explicou que: o encontro serviria para organizar o partido para as disputas nacional e estadual; que as reuniões foram divididas previamente para serem mais produtivos; que o partido referenda a decisão de Serra de "seguir governando o Estado, mesmo diante do preço político" de ainda não ter seu nome referendado como candidato.
Nas palavras de tucanos presentes ao diretório estadual, Serra já é o candidato, mas não caberia ao partido antecipar esta decisão ou exigir que o governador assuma esta postura agora. A estratégia declarada do governador é esperar até o prazo final de saída do cargo para evitar a antecipação do embate direto com o PT. Serra tem até 3 de abril para deixar o cargo de governador, se quiser concorrer à Presidência.

Ele ainda lidera as pesquisas de intenção de votos, mas os institutos apontam que a distância para a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, pré-candidata do PT ao Planalto, diminuiu bastante.

"O resultado era previsível. Mesmo ao arrepio da lei, temos uma situação em que só uma candidata, a do governo, pede votos. Por que fazemos campanha? Para conquistar votos. Sem definir candidato, naturalmente temos um preço a pagar", disse Thame.

Para ele, porém, a situação é reversível a partir de um tripé: anúncio formal da candidatura, realização da convenção e início da campanha na televisão. Essas missões caberão à coordenação da própria campanha e menos do partido.

À legenda restará a montagem dos palanques, para dar sustentação à candidatura presidencial. "Ganhar em São Paulo é condição necessária, mas não suficiente para uma vitória nacional. Temos que ir bem aqui", declarou o presidente do PSDB estadual, sem se comprometer com números, mas lembrando que no primeiro turno da disputa presidencial de 2006 Geraldo Alckmin abriu quase 4 milhões de votos sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que acabaria reeleito em segundo turno.

O desafio da legenda passa também por montar um palanque estadual forte. "Mas sem definir o candidato a presidente, também não podemos lançar o nome do postulante a governador. Temos que ter paciência e motivar a militância", afirmou Thame, acrescentando que todas essas ações só serão válidas se houver unidade partidária. 

O deputado federal José Aníbal declarou que, embora haja pressão para o lançamento da candidatura presidencial, não há nada que não possa ser resolvido a partir de abril, nem mesmo as questões do arco de alianças e da Vice-Presidência.

"Há muita fábulação em torno da candidatura Dilma. O tempo vai mostrar que estamos com a postura correta", disse, em referência ao fato de Serra se manter como governador, sem antecipar o anúncio de sua candidatura.

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