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Para evitar estigmas, locais são rebatizados no Rio

Para evitar estigmas, locais são rebatizados no Rio Por Clarissa Thomé Rio, 06 (AE) - Nos anos 70, fez sucesso a peça Um Edifício Chamado 200, de Paulo Pontes. A história do morador de uma cabeça-de-porco (prédio com muitos apartamentos) ficou tão famosa que virou filme e especial da Rede Globo.

Agência Estado |

Mas os moradores do Edifício Richard, na Avenida Barata Ribeiro, 200, em Copacabana, não gostaram. Conseguiram mudar na Justiça o nome original da peça (Barata Ribeiro, 200) e trocaram o número do edifício. O Richard virou Barata Ribeiro, 194. Inauguravam, assim, o "jeitinho carioca" para fugir da má fama: rebatizar.

O caso mais recente é o da Clínica Santa Maria. Foi ali que a cantora Cássia Eller se internou e morreu, em 2001, após ataque cardíaco. O local foi vendido há um ano e os novos proprietários não mantiveram o nome. Agora, na Rua das Laranjeiras, 72, funciona a Casa de Saúde Rio Laranjeiras. "No auge da epidemia de dengue, com a recepção lotada, alguém gritava: ‘É por isso que morreu a Cássia Eller’. Como se a crise fosse só nossa e não de todos os hospitais do Rio. Mas não podemos deixar a nossa confiança balançar. Clara Nunes morreu na Clínica São Vicente, que hoje é reconhecida pela medicina de ponta", diz o diretor da Rio Laranjeiras, João Alberto Magalhães Cordeiro Júnior.

Para se livrar dos fantasmas, a clínica passou por reformas, que incluíram desde a recuperação da fachada tombada à reformulação da recepção e da emergência.

ÔNIBUS 174 - Como nos casos de acidentes aéreos - em que o número do vôo deixa de ser utilizado pelas companhias -, o ônibus 174 não existe mais. A linha Central-Gávea virou 158, um ano após Sandro Nascimento ter feito passageiros reféns por mais de quatro horas, em 12 de junho de 2000.

O seqüestro foi transmitido ao vivo pela televisão. Quando o criminoso estava prestes a deixar o veículo, uma ação desastrada da polícia provocou a morte da refém Geísa Firmo Gonçalves. Sandro Nascimento foi morto por asfixia numa viatura da PM. Todos os policiais foram absolvidos.

Mas só trocar de nome não é garantia para se livrar do estigma. Que o digam os moradores do antigo Barata Ribeiro, 200. O edifício voltou às páginas policiais no início deste ano, com a prisão de Marlene de Oliveira Cavalcanti da Silveira, de 68 anos. Ela tinha em casa 16 papelotes de cocaína e vendeu um deles para um casal de policiais disfarçados. Foi apelidada de Vovó do Pó. De acordo com a investigação, ela atuava havia dez anos no prédio e monitorava do seu apartamento o movimento de entrada e saída do edifício, que não exige identificação.

ENDEREÇOS DE TRAGÉDIAS - Quem passa pelo Edifício Torre Almirante, na esquina das Ruas Graça Aranha e Almirante Barroso, nem lembra que o local foi palco do incêndio do Edifício Andorinha, em 1986, que deixou 21 mortos e mais de 50 feridos. O endereço foi reabilitado pelo luxuoso edifício construído entre 2003 e 2004. Nada resta do Andorinha - exceto o mosaico de Belmiro de Almeida, que enfeitava a portaria e hoje está numa praça na Rua do Lavradio.

Outro endereço que se livrou do passado de tragédias foi o restaurante da Avenida Nestor Moreira, 11. Ali funcionou o Sol & Mar, de onde partiu o Bateau Mouche, que afundou no réveillon de 88/89. Após anos fechado, reabriu no local o Real Astoria, que funcionou no Leblon, nos anos 70.

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