Para especialistas, provas não fecham caso Isabella

SÃO PAULO - As provas periciais do caso Isabella Nardoni são peças importantes, mas ainda não fecham o quebra-cabeça, segundo avaliam especialistas. Como não viram os laudos oficiais, mas apenas tiveram conhecimento dos resultados pela imprensa, os especialistas têm mais dúvidas do que críticas.

Redação com Agência Estado |

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    Especialistas acreditam que caso não está no fim
    Uma das mais recorrentes é quanto à medição de som nos apartamentos vizinhos ao de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá. Isso permitiria saber, por exemplo, se o som de uma discussão no 6º andar do Edifício London, onde o casal morava, poderia ser ouvido dos apartamentos onde estavam as testemunhas que prestaram depoimento no inquérito policial. O teste seria feito com o uso de um decibelímetro, aparelho que mede os decibéis ou por meio de uma simulação prática.

    Os especialistas também se perguntam por que não foi feito exame residuográfico nas mãos do casal, na noite em que prestaram depoimento? Por que o apartamento foi lacrado só três dias após o crime? Por que tanta demora na reconstituição? E por que os peritos foram pelo menos sete vezes ao local do crime (na maioria dos casos, tudo é feito em poucas visitas)?

    Além disso,eles vêem com preocupação duas conclusões dos peritos do caso, que tomaram conhecimento por meio da imprensa. Segundo eles, não têm valor científico dizer que as marcas da esganadura em Isabella são compatíveis com as mãos de Anna Carolina. Primeiramente, porque uma pessoa mais forte poderia ter apertado pouco ou porque dizer que é compatível não significa que o ato foi praticado por ela.

    Um dos entrevistados também destacou não ter tido informações de que a polícia procurou indícios da presença de uma terceira pessoa no apartamento, vistoriando a saída de serviço, por exemplo.

    Sangue no carro

    Um dos advogados de defesa do casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, Rogério Neres de Sousa, que já recebeu uma cópia dos laudos, negou que o sangue no carro da família seja de Isabella.

    Isso simplesmente não está no laudo, nunca esteve. Lá está escrito que é impossível determinar de quem é o sangue no carro. Justamente por isso estamos questionando esses métodos, afirmou Neres. A defesa está reunindo elementos para entrar com uma representação na Corregedoria da Polícia Civil.

    Com os laudos em mãos, os advogados tentam encontrar brechas que apontem que a polícia tem provas frágeis contra o casal. Além do sangue, eles contestam o depoimento de vizinhos do Edifício London que citaram uma grande discussão entre Alexandre e Anna Carolina dez minutos antes de a menina ser jogada pela janela do 6º andar.

    Segundo os peritos, que cruzaram as informações do rastreador instalado no Ford Ka com o primeiro telefonema dado ao Centro de Operações da PM, o casal ficou 14 minutos no prédio antes de o resgate ser chamado - ou um pouco menos, estimando o tempo que o vizinho demorou para ser avisado e pegar o telefone.

    Assim como Alexandre sustenta em depoimento que subiu primeiro para deixar Isabella no apartamento, sozinho, a defesa acredita que conseguirá provar que não houve tempo para uma briga. Como sempre falamos, a polícia está longe de fechar o caso, diz Neres. O inquérito deverá ser concluído até segunda-feira.

    "Delicadamente jogada"

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    Isabella teria sido jogada com cuidado
    O promotor Francisco Cembranelli, responsável pela investigação da morte da criança, afirmou na quinta-feira que ela foi "delicadamente" derrubada do 6° andar. Isso, na opinião de Cembranelli, refuta a versão apresentada pelo casal. Se fosse um monstro, como dizem os indiciados, certamente não se preocuparia e arremessaria a menina de qualquer lugar e de qualquer jeito. Ela foi jogada do quarto dos irmãos, cuidadosamente introduzida no buraco da rede de proteção e delicadamente teve as mãos soltas", afirmou.

    Segundo o promotor, por conta do piso de granito, Isabella teria sofrido danos físicos ainda maiores se fosse arremessada da janela de seu quarto. Há um gramado abaixo da janela do quarto dos irmãos.

    Inquérito e reconstituição

    Cembranelli esteve reunido por cerca de três horas na tarde de quinta com a delegada-assistente do 9º Distrito Policial, Renata Pontes. Segundo o promotor, o encontro serviu para finalizar dados do inquérito policial, que será concluído após a reconstituição da morte da menina, marcada para domingo.

    Ele voltou a dizer que provas indicam "claramente" que a cena do crime foi adulterada. "Tentou-se maquiar a versão verdadeira. Tentaram remover as manchas de sangue e até conseguiram remover algumas, mas os equipamentos de perícia modernos captaram a alteração", explicou, afirmando que essa remoção quase prejudicou a perícia.

    O promotor afirmou que já vai começar a ler o inquérito policial e examinar os laudos, além de confirmar sua presença na reconstituição da morte de menina.

    Cembranelli disse que "não há dúvida" de que o sangue encontrado no carro do casal Alexandre e Anna Carolina era de Isabella. "A conclusão é clara. Só não vê quem não quer".

    Para ele, o prazo de 30 dias concedido por lei para a investigação policial será respeitado. Ele ainda explicou que já tem uma idéia do motivo do crime, contudo, não deu maiores esclarecimentos. "Isso será dito no momento oportuno", disse.

    Operação especial

    Cem policiais militares e civis , incluindo homens do Grupo de Operações Especiais (GOE), farão no domingo o policiamento no entorno da Rua Santa Leocádia, na Vila Isolina Mazzei, para a reconstituição do assassinato.

    O reforço no policiamento será ainda maior caso o casal indiciado pelo crime confirme participação na reconstituição. "Vamos agir para dar o máximo de condições de trabalho aos policiais", afirma o delegado da 4ª Seccional Norte, César Camargo, que reuniu-se hoje com síndicos e subsíndicos de cinco prédios da rua para acertar detalhes operacionais da reconstituição. Os advogados de defesa do casal ainda não decidiram se Alexandre e Anna Carolina estarão presentes.

    Envolvimento de avô de Isabella

    O advogado Antônio Nardoni, pai de Alexandre, esteve no apartamento onde a neta Isabella foi morta dois dias após o crime, no dia 31 de março. As informações foram reveladas na edição de quinta-feira do "Jornal Hoje", que teve acesso ao livro de registros do edifício London.

    O caso

    AE
    Isabella era filha do consultor jurídico Alexandre Alves Nardoni e da bancária Ana Carolina Cunha de Oliveira. A cada 15 dias, ela visitava o pai e a madrasta Anna Carolina Jatobá.

    No sábado, dia 29 de março, a garota foi encontrada morta no jardim do prédio em que o pai mora. A polícia descartou desde o princípio a hipótese de acidente. O delegado titular do 9º Distrito Policial Carandiru, Calixto Calil Filho, declarou que Isabella foi jogada da janela do apartamento por alguém.

    O delegado destacou o fato de a tela de proteção da janela do quarto ter sido cortada e de ninguém ter dado queixa de desaparecimento de pertences no local.

    O pai teria alegado à polícia que um homem invadiu o seu apartamento. Ele e Anna Carolina afirmam ser inocentes e, por meio de cartas e em entrevista ao programa "Fantástico", da TV Globo, disseram esperar que "a justiça seja feita".

    *Com informações da Agência Estado

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