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Para especialista, medidas pós-acidente da TAM amenizam, mas são insuficientes

SÃO PAULO - A tragédia ocorrida com o vôo JJ3054 da TAM há um ano tornou ainda mais grave a situação do setor aéreo no Brasil, que já passava por uma crise relacionada a atrasos constantes e falta de segurança. Fala, internauta! BACKGROUND-COLOR: #ffffff color=#0066ffVocê considera que a situação na aviação brasileira melhorou no último ano? Comente abaixo.

Janaína Gimael e Andréia Brasil |

AE
Imagem feita no dia do acidente com aeronave da TAM
Imagem feita no dia do acidente com aeronave da TAM em São Paulo

Depois da tragédia, houve uma movimentação por parte do governo e de órgãos competentes para mudar o cenário. De acordo com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), desde dezembro de 2007, quando a diretoria atual assumiu, começaram a ser tomadas "medidas efetivas" para alterar a situação da crise aérea.

Em nota, o órgão afirmou, porém, que não comenta fatos ocorridos na gestão anterior. Depois do acidente, parte da diretoria da Anac foi mudada.

A situação de caos nos aeroportos foi controlada e o nível de atrasos e cancelamentos de vôos caiu a menos da metade em relação a seus piores momentos em 2007, limita-se a dizer Denise Chaves, responsável pela assessoria de comunicação do órgão.

De acordo com a Anac, a principal medida foi o aprimoramento da coordenação entre Anac, Infraero e Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea) da Aeronáutica. O maior controle foi considerado bastante positivo, especialmente nos primeiros meses em que ocorreu, mas algumas das medidas já não existem mais. Segundo a porta-voz da agência, o setor ainda inspira muitos cuidados e atenção para evitar que situações críticas se repitam.

Para o Brigadeiro reformado da Aeronáutica e especialista em aviação, Adyr da Silva, a crise aérea ainda persiste e é preciso uma reorganização institucional.

Ele afirma que são duas as vertentes após o acidente com o vôo JJ3054. Uma positiva, com o comando do ministro Nelson Jobim, que começou a colocar ordem no sistema. Outra relacionada a orçamentos reduzidos e tecnologias defasadas. Nós exportamos a mão-de-obra que realmente entende do assunto e poderia resolver. Somos os únicos em que o controle aéreo é feito por militares, e temos pistas que foram construídas por americanos na Segunda Guerra Mundial. É uma bagunça, argumenta.

Para Eduardo Lemos Barbosa, advogado da AfavTam, as medidas tomadas pelos órgãos governamentais para a prevenção de acidentes aéreos foram uma grande decepção. Primeiro vieram as notícias boas. O governo impediu que grandes aeronaves pousassem em Congonhas. Mas depois de três meses, por conta da pressão e de interesses comerciais, estes vôos foram liberados de novo. Daí colocaram as ranhuras ¿ que não havia na pista na data do acidente-, recapearam o asfalto e fizeram o tal escape. E acabou. O perigo continua rondando. Embora o tráfego aéreo seja menor, ali não tem espaço para grandes aeronaves. Do acidente para cá foram tomadas medidas acertadas, mas voltou-se ao que era antes, critica ele.

Reuters
Prédio da TAM Express
Prédio da TAM Express em SP fica destruído
Veja as principais medidas tomadas desde que a nova direção da Anac assumiu, em dezembro do ano passado:

- Operação Anac nos aeroportos durante o Natal e réveillon

Segundo a agência, o foco foi no atendimento aos passageiros e no ataque a gargalos que atrasavam o embarque. Houve aumento da fiscalização nos aeroportos de Congonhas e Guarulhos (SP), Galeão e Santos Dumont (RJ), e Juscelino Kubitschek (Brasília). Foi bastante útil, mas ocorreu apenas no período das festas, que registra maior movimento.

- Redução de slots (autorização de pouso e decolagem) para a aviação regular de Congonhas

O número, que chegou a ser de mais de 40 por hora, passou para 30 por hora, mas ainda seria alto demais para um aeroporto que, apesar de bem localizado, não suporta em razão da pista curta. Segundo o Brigadeiro reformado, Adyr da Silva, trata-se de uma solução troglodita, já que o volume de slots tende a continuar aumentando. É preciso investir na tecnologia dos equipamentos e na contratação de funcionários, afirma.

- Alerta para situações de pista molhada nos meses de dezembro a março

Segundo a Anac, de dezembro a março, foi determinado que todos os vôos que pousassem em Congonhas considerassem situações de pista molhada mesmo em dias sem chuva, ou seja, com menor peso na aeronave, o que reduziu a necessidade de desvio de aviões para pouso em Guarulhos.

- Intensificação da fiscalização operacional das cias aéreas

A Anac passou a realizar fiscalizações programadas e não programadas em todas as companhias aéreas, tanto no check-in, rampa, centro de controle e manutenção e em situações de acompanhamento de vôo.
Para o Brigadeiro reformado, Adyr da Silva, a medida é positiva, mas falta um banco de dados, informatização, e maior número de funcionários.

- Redução do tamanho útil da pista para as operações de pouso e ampliação do escape

A medida foi tomada por não haver no aeroporto espaço físico para ampliação do comprimento da pista. Trata-se de um dos pontos mais polêmicos, uma vez que o espaço da pista diminuiu ainda mais, o que não funciona para aviões de grande porte. Foi uma farsa. Não adianta nada. Os aviões crescem cada vez mais. Por ano são dois, três passageiros a mais nas aeronaves, avalia o Brigadeiro.

- Publicação de instrução proibindo pouso e decolagem com sistemas que comprometam a performance da frenagem da aeronave

A instrução foi publicada em 31/03/08 por meio da Instrução de Aviação Civil (IAC)121-1013. Segundo o Brigadeiro reformado, a medida já existia há mais de vinte anos. Estão apenas ajustando para melhorar o controle, diz.

(*colaborou Felipe Aragonez)

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