Em Mato Grosso do Sul, 4 jovens bateram em um estudante gay. Um deles é filho de um prefeito do interior

Um universitário de 21 anos, estudante da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), foi espancado por quatro jovens de classe média na madrugada de sexta-feira (15), em Campo Grande (MS). Ele saía de uma boate com um amigo – que conseguiu escapar – quando acabou surpreendido pelos rapazes. Um dos agressores é o filho do prefeito do município de Costa Rica (a 330 quilômetros de Campo Grande), Jesus Queiroz Baird (PMDB). O estudante espancado é homossexual.

Não vou passar a mão na cabeça. Criei meu filho com princípios, e ele tem de ser responsabilizado", diz prefeito

Em depoimento à delegada Daniella Kades de Oliveira Garcia, três dos quatro rapazes – incluindo o filho do prefeito – confirmaram que espancaram a vítima. O quarto jovem disse que acompanhou tudo do carro.

"Existem suspeitas de que esses quatro jovens estejam envolvidos em outros espancamentos a homossexuais, mas ainda não há registros, como boletins de ocorrência, que possam confirmar isso", afirmou a delegada.

Os agressores negaram à delegada que a violência teve cunho homofóbico, contrariando a versão do universitário. Em depoimento, ele disse que durante a sessão de espancamento foi xingado de “veadinho” e que “bicha tinha que apanhar assim mesmo”.

De acordo com a versão dos acusados, após eles terem tido um desentendimento com outras pessoas num posto de gasolina, resolveram espancar alguém, como forma de descontar a raiva. O escolhido foi o universitário e seu amigo – que fugiu a tempo.

Um dos agressores quebrou a mão enquanto socava a vítima. Outro quebrou o pé quando desferia chutes contra o universitário estirado no chão.

Mesmo com tanta violência, o jovem agredido teve lesões consideradas de baixa gravidade, mas ficou com marcas pelo corpo, como o olho roxo, além de dores na região da face, cabeça e costelas.

A delegada contou que irá enquadrar os rapazes por lesão corporal dolosa leve e injúria. Como a agressão foi classificada como branda, o inquérito será encaminhado ao Juizado Especial Criminal.

Nesse caso, é comum que sejam aplicadas penas alternativas aos acusados, como pagamento de cestas básicas ou prestação de serviços comunitários, informou Daniella.

O caso do espancamento do universitário é tratado como sigiloso, por isso os nomes não foram revelados.

O prefeito

À imprensa de Mato Grosso do Sul, o prefeito Jesus Baird disse que "não vai passar a mão na cabeça do filho" e que o fato é uma "molecagem".

"Lamento o ocorrido, e não vou passar a mão na cabeça de ninguém. Eu criei meu filho com princípios, e ele tem de ser responsabilizado", disse ele ao site MidiaMax.

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