Para DEM, grampo complica denúncia contra vice-governador do RS

BRASÍLIA - A opinião de membros da executiva nacional do DEM indica que é grave a situação do vice-governador do Rio Grande do Sul, Paulo Feijó, que fez denúncias de corrupção no governo gaúcho a partir de gravações clandestinas. Feijó gravou uma conversa telefônica com o ex-chefe da Casa Civil do Estado, Cezar Bussato, em que ele admite que estatais gaúchas financiaram campanhas políticas de partidos aliados.

Severino Motta - Último Segundo/Santafé Idéias |


"Criticamos tanto a pirataria petista, a prática ilegal, que não podemos compactuar com isso. A sociedade não pode se sustentar na ilegalidade", argumentou o deputado José Carlos Aleluia (BA), um dos membros da executiva do DEM.

A mesma opinião tem o líder do partido no Senado, José Agripino Maia. De acordo com ele, Feijó "fez a coisa certa por meios indevidos, por expedientes inconvenientes, que anulam a boa intenção".

Devido a isso, o líder disse apoiar a abertura do processo de expulsão de Feijó. Para ele, é preciso que a executiva analise profundamente o caso, escute as partes envolvidas e tome uma decisão ponderada.

O senador Heráclito, por sua vez, fez questão de dizer que não tem "nada contra Feijó", mas é inviável que o DEM sustente em seus quadros alguém que faça gravações clandestinas para fazer denúncias políticas.

"Nós combatemos a Abin [Agência Brasileira de Inteligência], a PF [Polícia Federal] por grampos ilegais. Ele pode estar coberto de razão, mas não podemos concordar com o método", disse.

Outro membro da executiva do DEM que se manifestou sobre o caso foi o senador Demóstenes Torres. Ele avaliou que o caso é "extremamente complicado" e tal como seus companheiros, criticou Feijó por fazer gravações de conversas particulares.

"Nem mesmo a justiça aceita uma gravação feita clandestinamente. Nós também não podemos aceitar", pontuou.

Feijó

O vice-governador do Rio Grande do Sul, Paulo Feijó (DEM), gravou uma conversa telefônica com o ex-chefe da Casa Civil do Estado, Cezar Bussato, em que ele admite que estatais gaúchas financiaram campanhas políticas de partidos aliados.

Desde a denúncia, a governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusis (PSDB) já demitiu cinco membros do governo. Além de Cezar, caíram o diretor de obras do departamento de estradas e rodagem (Daer), José Luiz Paiva, o secretário geral do governo, Delson Martini, o chefe da representação do Estado em Brasília, Marcelo Cavalcante e o comandante geral da brigada militar, Nilson Bueno.

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