Para defesa, Alexandre e Anna Carolina não são obrigados a ir à reconstituição

SÃO PAULO - Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, pai e madrasta de Isabella Nardoni, de 5 anos, não são obrigados a participar nem sequer a comparecer à reconstituição do crime, que acontece no domingo, a partir das 10 horas, no edifício London, na Vila Isolina Mazzei, zona norte de São Paulo.

Redação com Agência Estado |

A informação foi dada por um dos advogados do casal, Rogério Neres de Sousa. "Apesar disso, a princípio, eles irão até lá", afirmou ele, em referência à predisposição dos dois indiciados de irem à reconstituição. Neres de Sousa afirmou que a decisão da participação ou não de Alexandre e Anna Carolina será definida ainda nesta quinta-feira.

"Definiremos na tarde de hoje se eles participam." Na opinião do advogado, a polícia concluirá o inquérito na segunda-feira, mesmo com a reconstituição marcada para a véspera. "Considerando que eles trabalham com uma única linha de investigação, culpando o casal, é provável que encerrem o inquérito no prazo", disse.

O prazo para a investigação foi de 30 dias, e pode ser prorrogado a partir de segunda-feira por mais 30 dias. Na terça-feira, o diretor do Departamento de Polícia Judiciária da Capital (Decap), Aldo Galiano, já havia cogitado a prorrogação. "O adiamento não está nos nossos planos, mas pode acontecer." Os autos do inquérito, que já somam 800 páginas, incluem depoimentos de 64 testemunhas e cem páginas de laudos periciais.

Operação especial

Cem policiais militares e civis , incluindo homens do Grupo de Operações Especiais (GOE), farão no domingo o policiamento no entorno da Rua Santa Leocádia, na Vila Isolina Mazzei, para a reconstituição do assassinato.

O reforço no policiamento será ainda maior caso o casal indiciado pelo crime confirme participação na reconstituição. "Vamos agir para dar o máximo de condições de trabalho aos policiais", afirma o delegado da 4ª Seccional Norte, César Camargo, que reuniu-se hoje com síndicos e subsíndicos de cinco prédios da rua para acertar detalhes operacionais da reconstituição. Os advogados de defesa do casal ainda não decidiram se Alexandre e Anna Carolina estarão presentes.

Envolvimento de avô de Isabella

O advogado Antônio Nardoni, pai de Alexandre, esteve no apartamento onde a neta Isabella foi morta dois dias após o crime , no dia 31 de março. As informações foram reveladas nesta quinta-feira pelo "Jornal Hoje", que teve acesso ao livro de registros do edifício London.

Depoimentos do avô e da tia

Na tarde de quarta-feira, Antônio Nardoni, Cristiane Nardoni e dois moradores do edifício onde aconteceu o crime prestaram depoimento no 9°DP.

Agência Estado
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Depoimento de avô e tia teve muita confusão

Segundo fontes da Polícia Civil, que tiveram acesso ao Distrito Policial, Antônio e Cristiane teriam negado que esconderam provas que possam incriminar Alexandre e Anna Carolina, que não retiraram e nem modificaram nada no apartamento do casal após a morte de Isabella.

A polícia investiga a hipótese de que uma terceira pessoa tenha alterado o local do crime. Ainda segundo as fontes, Antônio e Cristiane teriam ficado em locais separados dentro do distrito policial e não teriam tido contato durante os depoimentos prestados.

Cristiane, irmã de Alexandre, também teria prestado esclarecimentos sobre um telefonema recebido na noite do crime, 29 de março, quando estava em um bar. Testemunhas contaram à polícia que ela teria dito que o irmão (Alexandre) "teria feito uma besteira". Ela nega ter feito tal comentário.

O depoimento do pai e da irmã de Alexandre Nardoni causou muita confusão nesta quarta-feira. Os dois saíram de casa e chegaram ao distrito policial sob protestos de pessoas que pediam "justiça". Na saída, após prestarem depoimentos, houve nova confusão. Um homem - identificado pela polícia como João Mendes da Silva, de 65 anos - foi detido depois que bateu com uma bolsa no carro onde estavam Antônio e Cristiane.

Laudos

Os advogados que defedem o casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá tiveram acesso aos laudos do Instituto Médico Legal (IML) e do Instituto de Criminalística (IC). Eles foram anexados ao inquérito sobre a morte de Isabella. As informações foram confirmadas pela Secretaria de Segurança Pública.

Eles chegaram ao 9° Distrito Policial, no Carandiru, por volta das 11h15 e afirmaram que foram ao local para tentar obter "uma cópia dos autos", que ainda não tinham conseguido.

Na tarde de terça-feira, a polícia adiou a divulgação dos laudos, que seriam apresentados em entrevista coletiva à imprensa. "Achamos mais oportuno que se adiasse a exposição dos detalhes para que houvesse uma análise pormenorizada dos laudos", afirmou o diretor do Departamento de Polícia Judiciária da Capital (Decap), Aldo Galeano.

O caso

AE
Isabella era filha do consultor jurídico Alexandre Alves Nardoni e da bancária Ana Carolina Cunha de Oliveira. A cada 15 dias, ela visitava o pai e a madrasta Anna Carolina Jatobá.

No sábado, dia 29 de março, a garota foi encontrada morta no jardim do prédio em que o pai mora. A polícia descartou desde o princípio a hipótese de acidente. O delegado titular do 9º Distrito Policial Carandiru, Calixto Calil Filho, declarou que Isabella foi jogada da janela do apartamento por alguém.

O delegado destacou o fato de a tela de proteção da janela do quarto ter sido cortada e de ninguém ter dado queixa de desaparecimento de pertences no local.

O pai teria alegado à polícia que um homem invadiu o seu apartamento. Ele e Anna Carolina afirmam ser inocentes e, por meio de cartas e em entrevista ao programa "Fantástico", da TV Globo, disseram esperar que "a justiça seja feita".

*Com informações da Agência Estado

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